O sol invadiu
os corpos desnudados pela noite ébria e tentadora. Despertou-os para a
realidade infiel que lhes consumiu a carne e levou a alma.
À luz da lua,
e do doce pecado esquecido, reacenderam o fogo há muito apagado: encontraram-se:
entregaram-se: perderam-se: amaram-se.
A partir
daquele instante longo em que se sentiram,
viraram-se
contra o mundo:
viraram-se
um para o outro:
uniram-se famintos
nos afectos.
A lucidez de
um novo dia trouxe-lhes um turbilhão de emoções. O arrependimento pulava entre
dúvidas e certezas.
No meio de
tudo isto nada ficou igual: ela sentiu-se Mulher. Ele fez-se Homem. Suas vidas
- que tinham sido até então vazias de toque e arrepio - completavam-se na
plenitude do inteiro: juntaram-se os pedaços partidos pela sensaboria das
regras impostas por uma sociedade enregelada.
Tinha
chegado o momento por eles há muito esperado: sentir a vida com a alma: viver o
sentimento com o corpo: saborear a vida no seu todo.

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