É bonito ver
que se respeita o próximo. Que se respeita o indivíduo no seu todo. O Ser
Humano como Ser. Apenas como Ser.
E o respeito
veste-se de inúmeras formas e despe-nos com a rapidez de uma palavra mal dita
ou de um gesto não pensado.
O Ser Humano
é naturalmente egoísta. Nascemos egocêntricos. Pensamos que o mundo gira à
nossa volta e que todas as outras pessoas têm que ceder aos nossos imensos
caprichos. Pensamos assim. Pensamos mal. Daí a importância vital do NÃO ouvido
desde tenra idade. O NÃO é o antídoto a médio prazo para o exacerbar do EU.
Custa-nos horrores o NÃO àquele brinquedo que tanto queríamos; àquelas calças
caríssimas que iriam suscitar inveja alheia; àquele carro magnífico que iria servir
de passaporte para as miúdas giras; àquela saída nocturna onde iríamos estar
com os nossos amigos; àquele tudo que precisávamos naquele preciso instante e
que nos é negado sem percebermos bem a razão.
Os pais. Os
pais têm um papel importante na formatação destes Seres que entram nas nossas
vidas prontinhos a aprender com o que ouvem e vêem. Dizer NÃO custa mais do que
alguma vez pensei na vida. Mas digo muitas vezes NÃO. Umas vezes, digo NÃO com
uma razão perceptível a qualquer pessoa; outras vezes, digo NÃO porque NÃO. Ou
porque SIM. Porque me apetece dizer NÃO agora para mais tarde ouvir SIM.
O papel
parental é complexo e ninguém nos fornece um livro de instruções, nem uma bola
de cristal para percebermos se o gesto de hoje irá ter uma boa, ou má,
consequência. Os pais têm, acima de tudo, que não se deixar levar pelas emoções
e ser bastante racionais nas suas decisões. O amor parental não pode ser
inconsequente, nem cego.
Amar um
filho é contrariá-lo ainda mais vezes do que ampará-lo. Porque se eu o
contrariar agora, ele conseguirá amparar-se nesta sociedade cada vez mais isolada.
É tudo uma questão de respeito…

Sem comentários:
Enviar um comentário