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Para ti, Nuno

Sobre o que é viver. Sobre as memórias que vão ficando gravadas. Sobre as histórias vividas. Os momentos que viram imagens coloridas de saudade e nostalgia. Sobre a infância que foste e a inocência que fazia as delícias de todos. As respostas que me acordavam para a tua atenção. Sobre o tempo. Uma vez mais o tempo. (Que o tempo continue a fazer o seu trabalho com a sabedoria de quem sabe o que faz!) Tempo para te ver trilhar o caminho que quiseste e todos os que ainda estão por sonhar. Tempo para te sentir a crescer e a ser o que sempre foste. Tempo para suster a vida e absorver o que o tempo não devolve. Tempo para respirar fundo e apaziguar este coração de mãe que tantas vezes se deixa embrulhar nas ondas submersas da dúvida, da inquietação e do medo quase infantil de errar. Há 20 anos a minha vida mudou. Eu mudei. Deixei de ser eu para passar a ser mãe. Há 20 anos percebi que não percebia nada da vida. Percebi que crescer dói mais na alma do que qualquer queda de bicicleta. Que os fantasmas, outrora debaixo da cama, passaram a andar de mãos dadas com cada novo medo. Entretanto, os dias foram sendo anos e percebi que a vida acontece com o crescer do corpo e o despertar da alma. E é aqui que estou: sentada à mesa, na sala, a pensar na vida, a refletir sobre tudo, mas sobretudo em mim, em ti e no quão bonita é a vida. Apesar de tudo. Apesar de tanto. Há 20 anos a ser mãe de ti...


Assim como é fantástico observar a passagem do tempo, e em como tudo muda a cada nova estação, é incrível ver um filho a crescer. Cresce o corpo, rebentam novas ideias, desabrocham novas atitudes, florescem novas constatações e os comportamentos vão sendo cada vez mais adaptados às circunstâncias e a toda uma nova consciência do Saber Ser.

Calado e observador quando achas que deves ser, e "pica miolos" quando te apetece, tens a essência que me acalenta o receio da incerteza que o futuro traz. Tens o teu papel definido mesmo que as dúvidas da juventude te tirem o chão que precisas. Tens ainda as hesitações de quem pensa com o coração no cérebro (virá o tempo de dares cérebro ao coração com mestria e detalhe!). Fazes-me lembrar tempos idos (tão idos que parecem vindos de uma outra vida) onde esta mãe era simplesmente filha de sonhos criados à luz da inocência e inconsciência. Sabes? Tão importante quanto a saúde e a paz de espírito é a consciência. Consciência de quem te rodeia. Do que te rodeia. Do que queres. Consciência de ti e do que és: fruto de uma árvore frondosa cheia de história e muitas estórias. O teu trajeto começou há 19 anos. Entre pinchos na água, remates na bola, desenhos na parede, puzzles montados, chocolate na sopa, chupeta na boca, doudou na mão, aspirador em riste, boné ao contrário e panelas no chão, estás tu: exímio a desafiar, com especial talento na arte de provocar quem realmente gostas.




18° aniversário

Entre a estupefacção, a admiração e a esperança: é algures por aí que me localizo. Como se de uma encruzilhada de ideias se tratasse. De um emaranhado de fios todos unidos pelo tempo que teima em voar.

Olho para trás e vejo-te menino cheio de energia e curiosidade. E sorrio porque assisto ao teu crescimento da mesma forma como me lembro de mim nessa mesma juventude. Sorrio e suspiro para a vida que me transcende e surpreende a cada novo passo teu. Parece que foi ontem! (Re)nasci no dia em que nasceste e tenho crescido contigo no sentido inverso da vida. E em todos os teus aniversários revivo cada momento, cada emoção, com o sentido de missão que abracei. Porque a percepção e intensidade serão para sempre só minhas.

A genética de que és feito pode ser evidente, mas o invisível, o detalhe, chega-me à velocidade da luz e faz-me querer-te no colo outra vez. (Sei que não posso, mas o instinto é mais rápido do que o pensamento.) 

Do colo passaste a dar a mão.

De dar a mão passaste a andar a meu lado. Agora, andas (sem mim) a desbravar o caminho que queres percorrer. Quando a hesitação te confunde vens ter a mim e só posso ficar feliz por isso. Afinal, a vida é mesmo isto: gerar, amar, permitir, apoiar, deixar ir e confiar.

Por isso, confio. Simplesmente confio. Na vida. Em ti. No homem em que te estás a tomar e no Ser que és.




17° aniversário 

Tanto para te dizer para que nada fique por dizer. É nesta simples frase que resumo esta minha vontade de deixar um bocadinho de mim. Porque a desatenção do dia a dia desfoca e distrai do que fica. E a escrita fica. Para leres quando te aprouver. Para relembrares as tuas (minhas) peripécias quando começares a ver o tempo como inevitável e, cada vez mais, precioso. Faz 17 anos que percebi a vida como ela é. E isso, aconteça o que acontecer, nunca ninguém me poderá tirar. Tens crescido a olhos vistos. Tens aprendido a ser quem estás a ser. Tens conquistado lições para a vida. Tens sido a prova que o limite é o que queremos que seja. E, como desde sempre, tens-me dado o ensinamento dos ensinamentos: o inevitável ultrapassa o desconhecido e o medo. E esse levo-o comigo. Apesar da tua adolescência ao rubro, tens conseguido lidar com mais um desafio com pragmatismo. (Aliás, olhando para trás, tiveste outras situações em que demonstraste ser da fibra de que também eu sou feita. Não sendo de ferro, és "osso duro de roer"). Aproveito para te dizer: és bem mais forte do que julgas. És muito capaz de atingir o que bem entenderes. Continua. 


 XVI aniversário 

 Os teus 16 anos tornam complicada a tarefa de escrever o texto do teu aniversário. E são várias as razões: 

1. Olho para ti e, apesar da "aborrecência", continuas o menino mesclado entre o tímido e o traquinas; 
2. Penso em ti e pergunto-me o que é que andei a fazer estes 16 anos: não os sinto, mas vejo-os em ti; 
3. A tua inteligência é directamente proporcional à tua habilidade de me contestar e contrapor. Se por um lado é bom sinal, por outro é simplesmente irritante (de mãe bestial passei a pessoa chata); 
4. Fazes-me perceber como, na tua inocência, me alimentavas com as tuas pérolas de menino doce (tantas saudades!!); 
5. Desafias-me como mãe, mas, acima de tudo, como pessoa-adulta-supostamente-pragmática-e-assertiva; 
6. Olho para ti e acredito que estás no bom caminho. Tens boa capacidade de observação e análise, o que me dá alguma tranquilidade neste mundo carregado de rapidez e pouca lucidez; 
7. Tens uma personalidade do caneco (expressão típica da malta do século passado que tinha o cuidado de distinguir a linguagem oral da escrita); 
8. Entre o orgulho, o receio, a impaciência, o discernimento, a argumentação, a irritação, a admiração, a estupefacção, o respeito e o amor de mãe, estou eu aos tombos a cada dia que passa; 
9. Tenho-me apercebido que ser mãe de "aborrecente" é só o início da jornada. Até então é aquele curso intensivo de primeiros socorros para termos uma noção básica da coisa; 
10. A minha vida é composta por duas fases: A.N. (Antes do Nuno) e C.N. (Com o Nuno) - fase depois multiplicada ao estilo matemático: C.N.A.A. (Com o Nuno e Antes da Ana) e C.N.C.A. (Com o Nuno e Com a Ana);
11. Ao escrever as fases matemáticas da maternidade, dei conta que a complexidade actual transcende qualquer expectativa minha do passado; 
12. Os teus 16 anos são a prova que a vida consegue ser fantástica: basta olhar para as conquistas, as mudanças e o poder de encaixe; 
13. Que nada é para sempre (muito menos a tua roupa que teima em encolher); 
14. Ser "o do contra" não é mau. É apenas uma alternativa ao "está bem só para agradar"; 
15. Porque ter personalidade forte é diferente de ser casmurro (sim, eu sei...); 
16. Porque ser mãe é tão-somente o meu propósito de vida.

15º aniversário

E eis que chegaram os teus 15 anos.
Os teus interesses estão a mudar.
A tua consciência sobre o mundo também.
Estás a crescer a um ritmo assim-como-quem-não-quer-a-coisa o que, por vezes, complica a minha geolocalização de mãe. Sei que te estás a calibrar e que nem sempre há uma correcta articulação entre a língua, o pensamento, o coração e a consciência, mas também sei que a tua essência está aí contigo todos os dias. Até nos dias de chuva agreste e trovoada. 
Ao longo deste tempo devo dizer que os dias têm sido uma autêntica corrida entre a tartaruga e a lebre numa alternância definitivamente desafiante.
Aliás, desde que nasceste, tens despertado em mim o meu melhor e o meu pior (juntamente com a tua irmã, então, é que o caldo fica ainda mais apurado!).
Nem sempre sei lidar contigo, mas percebo-te melhor do que imaginas. Afinal, ainda ontem tinha eu 15 anos e achava ter toda a sapiência de uma vida cheia de ideias e de sonhos e de certezas absolutas.
Um dia, quando estiveres disposto e preparado para me ouvir, vais guardar na tua memória retalhos da minha vida, juntar ao teu ADN e construir a tua própria manta de retalhos.


14° aniversário

Quando achas que nada mais te surpreenderá, vem o teu filho e reparas que, subitamente:
- está mais alto do que tu;
- tem a voz de galo desafinado;
- tem opinião sobre a sociedade e os comportamentos;
- censura de forma acérrima cada movimento, cada palavra, cada suspiro aqui da progenitora;
- está cada vez mais resmungão, contestatário e impossível de aturar quando as suas expectativas são contrariadas.
É. Pelos vistos, é adolescente. Está na tal da fase.
Na fase de pensar que o meu mundo gravita à volta dele e dos seus problemas quando o meu mundo se expande nas mais diferentes áreas da minha sobrevivência.
Na fase de partir a casca e viver a vida lá fora.
De experimentar. De cair. De se magoar. De crescer por dentro. De saltar da zona de conforto para o novo e desconhecido. (E se não saltar, estarei cá eu para o empurrar: do medo, surgirá a força; da frustração, a lição.)
Não quero preparar o caminho para ele percorrer, mas vou (tentar) prepará-lo para o caminho que lhe surgir.

A odisseia ainda agora começou...




Aniversário 13 anos


É um menino que está a aprender a ser homem. Já tem espírito crítico sobre o que o rodeia, mas ainda sem muita fundamentação. Comporta-se com a mesma oscilação da voz a desabrochar: ora aguda, ora grave, ora desafinada. Observa atentamente para questionar, absorver ou pôr em causa. Sonha com o futuro com o mesmo encantamento dos inocentes. Está a edificar valores, paixões e ideais: está a construir-se. Debate-se contra inseguranças e constatações: está a crescer por fora e a desafiar-se por dentro.
Acredito que vai ser um homem bom, mas, acima de tudo, acredito nele enquanto Ser Humano.


Nuno, sempre que estiveres com alguma dúvida sobre o rumo da tua vida, lembra-te: ESCAVA:
Esforça-te
Supera 
Conquista
Aprecia
Valoriza-te
Agradece


E a vida irá sorrir-te.


12° aniversário 


Por que te escrevo em cada aniversário?



Porque quando a memória me trair, terei sempre comigo tudo aquilo que te quis transmitir.

Porque me obriga a reflectir e a parar em mim enquanto mãe e a olhar-te de longe como quem observa o detalhe.
Porque vejo em ti o (meu) mundo a crescer e a aprender a cada dia que passa.
Porque tenho em ti os meus sonhos de menina e me fazes sorrir com a certeza de que vai correr tudo bem.
Porque me fazes acreditar que os medos não existem e a força pode ser indomável.
Porque quero que saibas que o que te escrevo é bem mais sentido do que qualquer palavra disparada à velocidade de uma irritação.
Porque sinto um tremendo orgulho no homem em que te estás a tornar mesmo quando me testas a paciência.
Porque quero que saibas que estou a fazer o melhor que posso com tudo o que tenho em mim.
Porque acredito que não és só o Meu Filho, mas O Filho. 

É só por isto que faço questão de te escrever a cada aniversário...



Barcelos, 11 de Fevereiro de 2017


Nuno,

este ano vou fazer diferente. Não vai haver lugar a lamechices, nem palavras doces. Não há cá mel a adocicar o dia por si já bastante açucarado. Nada disso. Estás a ficar crescido, por isso, vou portar-me como uma mãe de pré-adolescente se deve portar: directa e objectivamente.

Isto de demonstrar o amor esquizofrénico de uma mãe com as lágrimas em riste (de felicidade, de medo, de tristeza, de alívio, de tudo e de nada. As derramadas e as escondidas.); as noites mal apagadas; a casa decorada com brinquedos pelo chão e comida ressequida no sofá torna-se demasiado extenso para aquilo que é suposto ser o meu papel a partir de hoje.

Nuno, tal como a tua avó disse um dia, tu enches a casa. Enches, sim senhor! E a paciência também. Aliás, estou surpreendida com a sua elasticidade quando tenho de te dizer 3574 vezes que já está na hora de arrumares o quarto.

Mas, como o prometido é devido, vou directa ao assunto:
hoje é o dia do teu aniversário. Um dia cheio de memórias e repetidas histórias para te envergonhar. Sim. Porque desde o primeiro dia que te digo: és o menino mais lindo de casa e arredores! E, sim, mesmo zangada, furiosa, com lume a sair pelos olhos, depressa vejo-te pequenino para sempre e sinto-te nas entranhas mais entranhadas do meu ser.
Como vês, fui directa e objectiva como é suposto agora ser. És um pré-adolescente, por isso, e como não quero embaraços, termino esta missiva com esta curta mensagem de aniversário: parabéns!!!!

Beijinhos

Mãe

10º Aniversário

De cada vez que olho para ti com olhos de estar distante, fico impressionada.
Como é possível não ver (ter) mais o bebé a pedir colo e passeio?
Tinhas que ser assim tão rápido?
Já sei que não gostas quando te falo sobre como eras fofo e risonho e simpático e lindo quando eras bebé. Sobre a tua destreza a gatinhar e, mais tarde, a andar com a ajuda daquele carrinho que o avô fez de propósito para ti. Não te lembras, mas já se notava o teu feitio de “reizinho” a correr-te nas veias! Ou era como querias ou era como querias! Às vezes, levas-me ao limite das minhas forças, mas, confesso, adoro esse teu lado obstinado. Nem imaginas como me vejo em ti!!!
Foste crescendo e conquistando o teu espaço. E eu vou observando-te mesmo quando julgas que estou distraída. Filho: a mãe nunca está distraída! Apenas me afasto para te deixar crescer. Mas as minhas asas são elásticas e os meus olhos vêem para lá do que possas pensar, por isso: estarei cá para te amparar as quedas e limpar as feridas.
Sabes?: tenho saudades de ti como bebé, mas sei que vou ter saudades de ti como criança, como jovem, como filho sempre a precisar da mãe para qualquer coisa.
Duas mãos cheias passaram. Rápido. Demasiado rápido. Ninguém me tinha dito (com palavras que eu entendesse na perfeição) que depressa deixarias de ser bebé e passarias a ser um rapazinho com muita vontade de crescer. Tu: cresce, mas, peço-te, cresce devagarinho como quem saboreia cada etapa da vida. Não te distraias com as obrigações e com as limitações que te impõem. Cresce. Mas faz por crescer bem.
Faz amigos: bons e duradouros.
Namora quem amas: todos os dias.
Aprecia o trabalho que escolheres.
Delicia-te com a vida.
Sê grato por seres quem és: único!











Barcelos, 11 de Fevereiro de 2015






Meu menino, 






nem sei por onde começar tanto é o que quero que saibas.



Antes de tudo, quero que tenhas sempre em mente que, apesar de muitas vezes



me chatear contigo por me desafiares até ao meu limite da paciência, amar-te-ei 



incondicionalmente.



Posso gritar contigo.



Posso dar-te uma valente palmada.



Posso até virar-te as costas e ignorar-te (não é pedagógico, mas contigo funciona



na perfeição – desculpa esta minha manha de mãe).



Mas nunca, nunca deixarei de te amar.



E não te vou dizer que te amo da mesma forma como quando nasceste e te 



colocaram junto a mim. Não. Nessa altura, eu ainda não sabia o que era o amor 



de mãe. 



Tinha lido muitos livros para me ajudarem a lidar com um bebé; tive aulas de 



preparação para o parto e pós-parto (e o teu pai sempre presente e atento a tudo 



para me poder ajudar), mas nada me ensinou a lidar com o turbilhão de emoções 



que se seguiram mal te tiraram do meu corpo.



Agora que estás mais crescido, vou-te contar: chorei. Muito (Não te preocupes: 



ninguém viu: naquele momento estava sozinha).



Por que chorei?



Por teres vindo duas semanas antes do previsto.



Pelo medo que tive.



Pelo alívio de que o pior já tinha passado (mal eu sabia que era apenas o 



princípio de uma longa jornada).



Pela tremenda felicidade de teres nascido perfeitinho e com os dedinhos todos.



Achei-te o bebé mais lindo que alguma vez tinha visto (agora, vendo bem a 



evolução do teu crescimento: o amor de mãe consegue ter umas lentes de 



graduação curiosa).



Vieste para casa num dia especial: no dia dos namorados.



E a partir desse dia tudo mudou. Eu virei leoa. O teu pai (sempre esforçado, 



coitado) parecia o bombeiro ao serviço da nova comunidade. A casa, essa, 



nunca mais foi a mesma. Desde fraldas, brinquedos, roupinhas minúsculas, 



cobertores de cores claras,… tudo ganhou uma nova dimensão.



E como eu mudei. Já tive a oportunidade de te dizer que me ensinaste mais 



do que poderás pensar. Ainda ensinas, aliás. Todos os dias aprendo algo de 



novo contigo.



Agora, passados estes nove anos de intensas vivências, espero que também 



eu te esteja a ensinar o que me é devido:



que sejas um bom homem, preparado para viver a tua vida de mangas 



arregaçadas, sem medo de enfrentar os medos que te venham a assustar;



que aceites a diferença;



que não julgues pelas aparências;



que uses a inteligência que tens em teu benefício e em benefício dos outros;



que sintas a felicidade nos pormenores da vida e saibas que os momentos menos 



bons servem para nos tornar melhores pessoas;



que saibas que a vida é só tua e que tudo o que dela fizeres será a tua 



recompensa no futuro.







Tal como já te disse, tenho muito para te dizer. Tanto que nem sei por onde 



começar. Mas acho que vou começar assim: perdoa os erros desta 



mulher que se viu mãe sem saber muito bem o que isso era.








  
Um beijo repenicado,





Mãe













8º aniversário 






Que dia importante, este.


.
O dia em que vim ao mundo para me questionar de tanta, mas tanta coisa.


Já vivi muitos momentos dos quais não me lembro: era bebé sem noção do


que era a vida.




Agora, passados todos estes anos, sei que nem tudo é brincadeira;


que os pais têm de trabalhar; 


que a escola é importante; 


que o Inverno é chato; 


que o Verão é divertido; 


que o tempo passa rápido;


que os meus pais já foram crianças 


e que o planeta é redondo!




A minha mãe costuma dizer que sou “mesmo reizinho”. Nem percebo bem porquê.


Se sou teimoso? Não. Tenho personalidade.

.
Se sou orgulhoso? Não. Sou homem de convicções fortes.


.
No entanto, ainda aprecio (quando me esqueço da minha evolução ponderal) 


os beijinhos e os miminhos da minha família. 


Gosto quando estamos todos juntos a fazer muito barulho. É cá uma confusão!!!




Hoje é o dia do meu aniversário. O dia em que me sinto especial. Porque será?












7º aniversário




Do alto dos meus sete anos peço


para todos ouvirem,


com muita atenção!,


esta minha humilde proclamação:





estes últimos meses têm sido repletos de animação, actividades e muitas, 


muitas tarefas.





É a escola e as aulas;


é o aprender a ler e descobrir todos os dias uma nova palavra;


é o aprender a escrever e deixar a minha essência impressa em papel;


é o aprender matemática e entrar no planeta dos números;


é o aprender o estudo do meio e descobrir o mundo que me rodeia.





Tenho muito para aprender e tanto para ensinar!





Do alto dos meus sete anos peço


para todos ouvirem,


com muita atenção!,


esta minha forte convicção:





estou a começar ainda


esta minha longa jornada,


mas uma coisa vos garanto:


vai ser o tudo ou nada!      












6º aniversário
 

Sou carinhoso.

 
Sou carente.

 
Sou teimoso.


Temperamental.

 
Sou como sou.

 
Nasci assim.

 
Sou o Nuno, afinal!




 
Gosto muito de conviver

 
com quem tem p'ra ensinar.

 
Estou aqui a aprender

 
e a muito bem julgar!



 
Sou ainda criança

 
embora pareça crescido.

 
Tenho ainda a esperança

 
de um menino atrevido!



 

 
Dificil de aturar?

 
De todo me considero.

 
Apenas quero brincar

 
enquanto aqui espero.




 
O meu ego exacerbado

 
confunde assim a malta.

 
Fica tudo exasperado

 
com este lindo peralta!




 
Sou maroto.

 
Sou traquinas.

 
Sou amigo.

 
Defensor.

 
Sou como sou.

 
Nasci assim.

 
Sou o Nuno, sim Senhor!






 5º aniversário





Sou traquinas bastante

 
nos espaços que meus são.

 
Desarrumo num instante,

 
mais pareço um furacão!






Gosto de ajudar? Tem dias,

 
pois ajudar é disposto estar.

 
Ora, se tu me arrelias

 
como é que hei-de andar?





 
O que me dizem, aceito

 
quando estou disposto a tal;

 
mas também tenho direito

 
a portar-me um pouco mal!





 
O meu trunfo é a chantagem

 
utilizada de quando em vez.

 
O que é preciso é bagagem

 
para tudo aquilo que vês!





 
Gosto muito de aprender.

 
Gosto mais de ensinar.

 
Divirto-me a tudo ver

 
e sobre tudo (a) falar.





 
Curioso e interessado.

 
Inteligente e perspicaz.

 
Até fico é cansado

 
com tudo o que sou capaz!

 


Tenho 5 anos somente.

 
Deixem-me lá brincar.

 
Sou criança, felizmente!,

 
alegre a imaginar.





 
Sou o Nuno, pois claro,

 
não haja hesitação!

 
No entanto, Meu Caro

 
o meu nome tem razão!





 
Pela mãe tenho o Rei,

 
que na barriga não está.

 
Sousa Pinto, sabei!,

 
advém do meu papá!





 
4º aniversário 




Finalmente chegou o grande dia.
 

O dia apoteótico.
 

O aniversário do dia N* na vida dos meus pais.

 
Desde o meu último aniversário que anseio por este dia. No inicio, estava 


a tardar em chegar, mas, depois, foi num instantinho que veio.


Estou grande.
 

Tão grande que as minhas calças favoritas já não o são.
 

Tão grande que já vejo o que está em cima da mesa, sem me esticar, 


sem banquinho,... só eu e a minhas longas pernas!!


 Estou crescido.
 

Tão crescido que faço perguntas de dificil resposta.
 

Tão crescido que digo natural e espontaneamente o que penso.

 
Já ajudo nas compras, já as pago e aguardo o troco;
 

Já arrumo o meu quarto. Cada coisa no seu devido sítio... mas... ora bem... 


agora até quero brincar com aquele carrinho que está naquela prateleira lá 


em cima... Ok... depois arrumo;

 
Gosto de trabalhar com as minhas ferramentas,
 

lavar os dentes sozinho,
 

cortar o cabelo,
 

ir ao Sr. Doutor,
 

estar no computador,


“dar uma voltinha”,


falar, falar, falar,...
 

e... continuo a não gostar de... comer!!!

 
Agora tenho uma maninha. E posso dizer que me divirto imenso a vê-la a tentar 


imitar-me!!
 

Coitada, ainda é bebé!! Tem muito que aprender, mas cá estarei eu para lhe 


ensinar as dificuldades do crescimento!!

 
Já tenho quatro anos e tenho que “fazer uma coisa importante”! Por isso, vou 


buscar uma folha e um lápis e vou fazer um desenho.











3º aniversário 





Hoje é o dia do meu aniversário.



Faço três interessantes anos de vida e de aprendizagem.



Posso até dizer que tem sido um percurso de muito estudo e análise 


comportamental de todos os adultos ao meu redor.




Ora vejamos:





 
Por que é que tenho de me pentear de manhã,

 

quando o meu cabelo parece fruto de uma electrocussão?





 
Por que é que tenho de levar chapéu, 


quando me apetece levar gorro?






Por que é que tenho de lavar as mãos para almoçar,

 

quando acabei agora mesmo de dar uma festinha no cão?






Por que é que tenho de mudar de roupa todos os dias de manhã,

 

quando tenho vestido o meu pijama bem quentinho?






 
Por que é que tenho de comer sopa,

 

quando me apetece comer papa?






 
Por que é que tenho de comer papa,

 

quando me apetece tomar leite?






Por que é que me dizem que sou teimoso,

 

quando os meus pais é que são insistentes?





 
Tantas perguntas e tão poucas respostas!





 
Se por um lado, sou pequenino para tomar as minhas decisões;

 

por outro, sou crescido demais para fazer birras!






Não tem sido nada fácil.

 

No entanto, acredito que, com mais empenho e esforço da minha parte,

 

conseguirei atingir os objectivos por mim traçados.

 








2º aniversário







Estou a ficar crescido.

Pelo menos é o que me dizem.

Já tenho dois anos e já chego a todo o lado.

E quando não consigo, pego numa cadeira.

Não entendo é porque a minha mãe fica tão chateada comigo.

Só quero ver aquela coisa interessante e reluzente que está em cima do armário...

Sou apenas um menino curioso e com muita vontade de aprender.

Quando aprendi a gatinhar foi alegria geral.

Quando comecei a andar ficaram todos orgulhosos pela minha destreza.

Quando peguei na colher para comer sozinho ficaram enternecidos pelo meu esforço em ser independente.

Quando me distraio e digo uma palavra de adulto ficam todos muito espantados.

Nem quero imaginar como vai ser quando deixar a minha linguagem e passar a usar

exclusivamente aquelas palavras desinteressantes e sem imaginação dos adultos!!



A chupeta?



Já nem preciso assim tanto dela.

Aliás, até acho que é ela que precisa mais de mim!

Só a uso para tranquilizar os meus papás.

Acho que devo ficar com um ar mais mimoso...



O balanço destes dois anos?



Tem sido interessante ver a evolução e o crescimento dos meus papás!

Mas... ainda têm um longo caminho pela frente!



Nem sabem o que lhes espera!




1º aniversário




Um ano de vida.



Um ano de descobertas.



Um ano de aventuras.







Tanto que cresci.



Tanto que aprendi.



Tanto para aprender.







Ufa... que azáfama!












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