1. Olho para ti e, apesar da "aborrecência", continuas o menino mesclado entre o tímido e o traquinas;
2. Penso em ti e pergunto-me o que é que andei a fazer estes 16 anos: não os sinto, mas vejo-os em ti;
3. A tua inteligência é directamente proporcional à tua habilidade de me contestar e contrapor. Se por um lado é bom sinal, por outro é simplesmente irritante (de mãe bestial passei a pessoa chata);
4. Fazes-me perceber como, na tua inocência, me alimentavas com as tuas pérolas de menino doce (tantas saudades!!);
5. Desafias-me como mãe, mas, acima de tudo, como pessoa-adulta-supostamente-pragmática-e-assertiva;
6. Olho para ti e acredito que estás no bom caminho. Tens boa capacidade de observação e análise, o que me dá alguma tranquilidade neste mundo carregado de rapidez e pouca lucidez;
7. Tens uma personalidade do caneco (expressão típica da malta do século passado que tinha o cuidado de distinguir a linguagem oral da escrita);
8. Entre o orgulho, o receio, a impaciência, o discernimento, a argumentação, a irritação, a admiração, a estupefacção, o respeito e o amor de mãe, estou eu aos tombos a cada dia que passa;
9. Tenho-me apercebido que ser mãe de "aborrecente" é só o início da jornada. Até então é aquele curso intensivo de primeiros socorros para termos uma noção básica da coisa;
10. A minha vida é composta por duas fases: A.N. (Antes do Nuno) e C.N. (Com o Nuno) - fase depois multiplicada ao estilo matemático: C.N.A.A. (Com o Nuno e Antes da Ana) e C.N.C.A. (Com o Nuno e Com a Ana);
11. Ao escrever as fases matemáticas da maternidade, dei conta que a complexidade actual transcende qualquer expectativa minha do passado;
12. Os teus 16 anos são a prova que a vida consegue ser fantástica: basta olhar para as conquistas, as mudanças e o poder de encaixe;
13. Que nada é para sempre (muito menos a tua roupa que teima em encolher);
14. Ser "o do contra" não é mau. É apenas uma alternativa ao "está bem só para agradar";
15. Porque ter personalidade forte é diferente de ser casmurro (sim, eu sei...);
16. Porque ser mãe é tão-somente o meu propósito de vida.
15º aniversário
E eis que chegaram os teus 15 anos.
Os teus interesses estão a mudar.
A tua consciência sobre o mundo também.
Estás a crescer a um ritmo assim-como-quem-não-quer-a-coisa o que, por vezes, complica a minha geolocalização de mãe. Sei que te estás a calibrar e que nem sempre há uma correcta articulação entre a língua, o pensamento, o coração e a consciência, mas também sei que a tua essência está aí contigo todos os dias. Até nos dias de chuva agreste e trovoada.
Ao longo deste tempo devo dizer que os dias têm sido uma autêntica corrida entre a tartaruga e a lebre numa alternância definitivamente desafiante.
Aliás, desde que nasceste, tens despertado em mim o meu melhor e o meu pior (juntamente com a tua irmã, então, é que o caldo fica ainda mais apurado!).
Nem sempre sei lidar contigo, mas percebo-te melhor do que imaginas. Afinal, ainda ontem tinha eu 15 anos e achava ter toda a sapiência de uma vida cheia de ideias e de sonhos e de certezas absolutas.
Um dia, quando estiveres disposto e preparado para me ouvir, vais guardar na tua memória retalhos da minha vida, juntar ao teu ADN e construir a tua própria manta de retalhos.
14° aniversário
Quando achas que nada mais te surpreenderá, vem o teu filho e reparas que, subitamente:
- está mais alto do que tu;
- tem a voz de galo desafinado;
- tem opinião sobre a sociedade e os comportamentos;
- censura de forma acérrima cada movimento, cada palavra, cada suspiro aqui da progenitora;
- está cada vez mais resmungão, contestatário e impossível de aturar quando as suas expectativas são contrariadas.
É. Pelos vistos, é adolescente. Está na tal da fase.
Na fase de pensar que o meu mundo gravita à volta dele e dos seus problemas quando o meu mundo se expande nas mais diferentes áreas da minha sobrevivência.
Na fase de partir a casca e viver a vida lá fora.
De experimentar. De cair. De se magoar. De crescer por dentro. De saltar da zona de conforto para o novo e desconhecido. (E se não saltar, estarei cá eu para o empurrar: do medo, surgirá a força; da frustração, a lição.)
Não quero preparar o caminho para ele percorrer, mas vou (tentar) prepará-lo para o caminho que lhe surgir.
A odisseia ainda agora começou...
Aniversário 13 anos
É um menino que está a aprender a ser homem. Já tem espírito crítico sobre o que o rodeia, mas ainda sem muita fundamentação. Comporta-se com a mesma oscilação da voz a desabrochar: ora aguda, ora grave, ora desafinada. Observa atentamente para questionar, absorver ou pôr em causa. Sonha com o futuro com o mesmo encantamento dos inocentes. Está a edificar valores, paixões e ideais: está a construir-se. Debate-se contra inseguranças e constatações: está a crescer por fora e a desafiar-se por dentro.
Acredito que vai ser um homem bom, mas, acima de tudo, acredito nele enquanto Ser Humano.
Nuno, sempre que estiveres com alguma dúvida sobre o rumo da tua vida, lembra-te: ESCAVA:
Esforça-te
Supera
Conquista
Aprecia
Valoriza-te
Agradece
E a vida irá sorrir-te.
12° aniversário
Por que te escrevo em cada aniversário?
Porque quando a memória me trair, terei sempre comigo tudo aquilo que te quis transmitir.
Porque me obriga a reflectir e a parar em mim enquanto mãe e a olhar-te de longe como quem observa o detalhe.
Porque vejo em ti o (meu) mundo a crescer e a aprender a cada dia que passa.
Porque tenho em ti os meus sonhos de menina e me fazes sorrir com a certeza de que vai correr tudo bem.
Porque me fazes acreditar que os medos não existem e a força pode ser indomável.
Porque quero que saibas que o que te escrevo é bem mais sentido do que qualquer palavra disparada à velocidade de uma irritação.
Porque sinto um tremendo orgulho no homem em que te estás a tornar mesmo quando me testas a paciência.
Porque quero que saibas que estou a fazer o melhor que posso com tudo o que tenho em mim.
Porque acredito que não és só o Meu Filho, mas O Filho.
É só por isto que faço questão de te escrever a cada aniversário...
Barcelos, 11 de Fevereiro de 2017
Nuno,
este
ano vou fazer diferente. Não vai haver lugar a lamechices, nem palavras doces.
Não há cá mel a adocicar o dia por si já bastante açucarado. Nada disso. Estás
a ficar crescido, por isso, vou portar-me como uma mãe de pré-adolescente se
deve portar: directa e objectivamente.
Isto
de demonstrar o amor esquizofrénico de uma mãe com as lágrimas em riste (de
felicidade, de medo, de tristeza, de alívio, de tudo e de nada. As derramadas e
as escondidas.); as noites mal apagadas; a casa decorada com brinquedos pelo
chão e comida ressequida no sofá torna-se demasiado extenso para aquilo que é
suposto ser o meu papel a partir de hoje.
Nuno,
tal como a tua avó disse um dia, tu enches a casa. Enches, sim senhor! E a
paciência também. Aliás, estou surpreendida com a sua elasticidade quando tenho
de te dizer 3574 vezes que já está na hora de arrumares o quarto.
Mas,
como o prometido é devido, vou directa ao assunto:
hoje
é o dia do teu aniversário. Um dia cheio de memórias e repetidas histórias para
te envergonhar. Sim. Porque desde o primeiro dia que te digo: és o menino mais
lindo de casa e arredores! E, sim, mesmo zangada, furiosa, com lume a sair
pelos olhos, depressa vejo-te pequenino para sempre e sinto-te nas entranhas
mais entranhadas do meu ser.
Como
vês, fui directa e objectiva como é suposto agora ser. És um pré-adolescente,
por isso, e como não quero embaraços, termino esta missiva com esta curta
mensagem de aniversário: parabéns!!!!
Beijinhos
Mãe
10º Aniversário
De cada vez que olho para ti com olhos de estar distante, fico
impressionada.
Como é possível não ver (ter) mais o bebé a pedir colo e passeio?
Tinhas que ser assim tão rápido?
Já sei que não gostas quando te falo sobre como eras fofo e risonho e
simpático e lindo quando eras bebé. Sobre a tua destreza a gatinhar e, mais
tarde, a andar com a ajuda daquele carrinho que o avô fez de propósito para ti.
Não te lembras, mas já se notava o teu feitio de “reizinho” a correr-te nas
veias! Ou era como querias ou era como querias! Às vezes, levas-me ao limite
das minhas forças, mas, confesso, adoro esse teu lado obstinado. Nem imaginas
como me vejo em ti!!!
Foste crescendo e conquistando o teu espaço. E eu vou observando-te
mesmo quando julgas que estou distraída. Filho: a mãe nunca está distraída!
Apenas me afasto para te deixar crescer. Mas as minhas asas são elásticas e os
meus olhos vêem para lá do que possas pensar, por isso: estarei cá para te
amparar as quedas e limpar as feridas.
Sabes?: tenho saudades de ti como bebé, mas sei que vou ter saudades
de ti como criança, como jovem, como filho sempre a precisar da mãe para qualquer
coisa.
Duas mãos cheias passaram. Rápido. Demasiado rápido. Ninguém me tinha
dito (com palavras que eu entendesse na perfeição) que depressa deixarias de
ser bebé e passarias a ser um rapazinho com muita vontade de crescer. Tu: cresce,
mas, peço-te, cresce devagarinho como quem saboreia cada etapa da vida. Não te
distraias com as obrigações e com as limitações que te impõem. Cresce. Mas faz
por crescer bem.
Faz amigos: bons e duradouros.
Namora quem amas: todos os dias.
Aprecia o trabalho que escolheres.
Delicia-te com a vida.
Sê grato por seres quem és: único!
Barcelos, 11 de Fevereiro de 2015
Meu menino,
nem sei por
onde começar tanto é o que quero que saibas.
Antes de
tudo, quero que tenhas sempre em mente que, apesar de muitas vezes
me chatear contigo por me desafiares até ao meu limite da paciência, amar-te-ei
incondicionalmente.
Posso gritar
contigo.
Posso dar-te
uma valente palmada.
Posso até
virar-te as costas e ignorar-te (não é pedagógico, mas contigo funciona
na perfeição – desculpa esta minha manha de mãe).
Mas nunca,
nunca deixarei de te amar.
E não te vou
dizer que te amo da mesma forma como quando nasceste e te
colocaram junto a mim. Não. Nessa altura, eu ainda não sabia o que era o amor
de mãe.
Tinha lido
muitos livros para me ajudarem a lidar com um bebé; tive aulas de
preparação
para o parto e pós-parto (e o teu pai sempre presente e atento a tudo
para me poder
ajudar), mas nada me ensinou a lidar com o turbilhão de emoções
que se seguiram
mal te tiraram do meu corpo.
Agora que
estás mais crescido, vou-te contar: chorei. Muito (Não te preocupes:
ninguém
viu: naquele momento estava sozinha).
Por que chorei?
Por teres
vindo duas semanas antes do previsto.
Pelo medo
que tive.
Pelo alívio
de que o pior já tinha passado (mal eu sabia que era apenas o
princípio de uma longa jornada).
Pela tremenda
felicidade de teres nascido perfeitinho e com os dedinhos todos.
Achei-te o
bebé mais lindo que alguma vez tinha visto (agora, vendo bem a
evolução do teu crescimento:
o amor de mãe consegue ter umas lentes de
graduação curiosa).
Vieste para
casa num dia especial: no dia dos namorados.
E a partir
desse dia tudo mudou. Eu virei leoa. O teu pai (sempre esforçado,
coitado) parecia o bombeiro ao serviço da nova comunidade. A casa, essa,
nunca mais foi a mesma. Desde fraldas, brinquedos, roupinhas minúsculas,
cobertores de cores claras,… tudo ganhou uma nova dimensão.
E como eu
mudei. Já tive a oportunidade de te dizer que me ensinaste mais
do que poderás pensar. Ainda ensinas, aliás. Todos os dias aprendo algo de
novo contigo.
Agora,
passados estes nove anos de intensas vivências, espero que também
eu te esteja
a ensinar o que me é devido:
que sejas um
bom homem, preparado para viver a tua vida de mangas
arregaçadas, sem medo de
enfrentar os medos que te venham a assustar;
que aceites
a diferença;
que não
julgues pelas aparências;
que uses a
inteligência que tens em teu benefício e em benefício dos outros;
que sintas a
felicidade nos pormenores da vida e saibas que os momentos menos
bons servem para
nos tornar melhores pessoas;
que saibas
que a vida é só tua e que tudo o que dela fizeres será a tua
recompensa no
futuro.
Tal como já te
disse, tenho muito para te dizer. Tanto que nem sei por onde
começar. Mas acho que
vou começar assim: perdoa os erros desta
mulher que se viu mãe sem saber muito bem o que isso era.
Um beijo repenicado,
Mãe
8º aniversário
Que dia
importante, este.
.
O dia em que vim
ao mundo para me questionar de tanta, mas tanta coisa.
Já vivi muitos
momentos dos quais não me lembro: era bebé sem noção do
que era a vida.
Agora, passados
todos estes anos, sei que nem tudo é brincadeira;
que os pais têm de trabalhar;
que a escola é importante;
que o Inverno é chato;
que o Verão é divertido;
que
o tempo passa rápido;
que os meus pais já foram crianças
e que o planeta é
redondo!
A minha mãe
costuma dizer que sou “mesmo reizinho”. Nem percebo bem porquê.
Se sou teimoso? Não.
Tenho personalidade.
.
Se sou orgulhoso?
Não. Sou homem de convicções fortes.
.
No entanto, ainda
aprecio (quando me esqueço da minha evolução ponderal)
os beijinhos e os
miminhos da minha família.
Gosto quando estamos todos juntos a fazer muito
barulho. É cá uma confusão!!!
Hoje é o dia do
meu aniversário. O dia em que me sinto especial. Porque será?
7º aniversário
Do alto dos meus sete anos peço
para todos ouvirem,
com muita atenção!,
esta minha humilde proclamação:
estes últimos meses têm sido repletos de animação, actividades e muitas,
muitas tarefas.
É a escola e as aulas;
é o aprender a ler e descobrir todos os dias uma nova palavra;
é o aprender a escrever e deixar a minha essência impressa em papel;
é o aprender matemática e entrar no planeta dos números;
é o aprender o estudo do meio e descobrir o mundo que me rodeia.
Tenho muito para aprender e tanto para ensinar!
Do alto dos meus sete anos peço
para todos ouvirem,
com muita atenção!,
esta minha forte convicção:
estou a começar ainda
esta minha longa jornada,
mas uma coisa vos garanto:
vai ser o tudo ou nada!
6º aniversário
Sou
carinhoso.
Sou
carente.
Sou
teimoso.
Temperamental.
Sou
como sou.
Nasci
assim.
Sou
o Nuno, afinal!
Gosto
muito de conviver
com
quem tem p'ra ensinar.
Estou
aqui a aprender
e
a muito bem julgar!
Sou
ainda criança
embora
pareça crescido.
Tenho
ainda a esperança
de
um menino atrevido!
Dificil
de aturar?
De
todo me considero.
Apenas
quero brincar
enquanto
aqui espero.
O
meu ego exacerbado
confunde
assim a malta.
Fica
tudo exasperado
com
este lindo peralta!
Sou
maroto.
Sou
traquinas.
Sou
amigo.
Defensor.
Sou
como sou.
Nasci
assim.
Sou
o Nuno, sim Senhor!
5º aniversário
Sou
traquinas bastante
nos
espaços que meus são.
Desarrumo
num instante,
mais
pareço um furacão!
Gosto
de ajudar? Tem dias,
pois
ajudar é disposto estar.
Ora,
se tu me arrelias
como
é que hei-de andar?
O
que me dizem, aceito
quando
estou disposto a tal;
mas
também tenho direito
a
portar-me um pouco mal!
O
meu trunfo é a chantagem
utilizada
de quando em vez.
O
que é preciso é bagagem
para
tudo aquilo que vês!
Gosto
muito de aprender.
Gosto
mais de ensinar.
Divirto-me
a tudo ver
e
sobre tudo (a) falar.
Curioso
e interessado.
Inteligente
e perspicaz.
Até
fico é cansado
com
tudo o que sou capaz!
Tenho
5 anos somente.
Deixem-me
lá brincar.
Sou
criança, felizmente!,
alegre
a imaginar.
Sou
o Nuno, pois claro,
não
haja hesitação!
No
entanto, Meu Caro
o
meu nome tem razão!
Pela
mãe tenho o Rei,
que
na barriga não está.
Sousa
Pinto, sabei!,
advém
do meu papá!
4º aniversário
Finalmente
chegou o grande dia.
O
dia apoteótico.
O
aniversário do dia N* na vida dos meus pais.
Desde o meu último aniversário que anseio por este dia. No inicio, estava
a
tardar em chegar, mas, depois, foi num instantinho que veio.
Estou
grande.
Tão
grande que as minhas calças favoritas já não o são.
Tão
grande que já vejo o que está em cima da mesa, sem me esticar,
sem
banquinho,... só
eu e a minhas longas pernas!!
Estou
crescido.
Tão
crescido que faço perguntas de dificil resposta.
Tão
crescido que digo natural e espontaneamente o que penso.
Já
ajudo nas compras, já as pago e aguardo o troco;
Já
arrumo o meu quarto. Cada coisa no seu devido sítio... mas... ora
bem...
agora até quero brincar
com aquele carrinho que está naquela prateleira lá
em cima... Ok...
depois arrumo;
Gosto
de trabalhar com as minhas ferramentas,
lavar
os dentes sozinho,
cortar
o cabelo,
ir
ao Sr. Doutor,
estar
no computador,
“dar
uma voltinha”,
falar,
falar, falar,...
e...
continuo a não gostar de... comer!!!
Agora
tenho uma maninha. E posso dizer que me divirto imenso a vê-la a
tentar
imitar-me!!
Coitada,
ainda é bebé!! Tem muito que aprender, mas cá estarei eu para lhe
ensinar as dificuldades
do crescimento!!
Já
tenho quatro anos e tenho que “fazer uma coisa importante”! Por
isso, vou
buscar uma folha e
um lápis e vou fazer um desenho.
3º aniversário
Hoje
é o dia do meu aniversário.
Faço
três interessantes anos de
vida e de aprendizagem.
Posso
até dizer que
tem sido um percurso de
muito estudo e
análise
comportamental de todos os adultos ao
meu redor.
Ora
vejamos:
Por
que é que tenho de me
pentear de manhã,
quando
o meu cabelo parece
fruto de uma electrocussão?
Por
que é que tenho de levar
chapéu,
quando
me apetece levar
gorro?
Por
que é que tenho de lavar
as mãos para almoçar,
quando
acabei agora mesmo de
dar uma festinha no cão?
Por
que é que tenho de mudar
de roupa todos
os dias de manhã,
quando
tenho vestido o
meu pijama bem quentinho?
Por
que é que tenho de comer
sopa,
quando
me apetece comer
papa?
Por
que é que tenho de comer
papa,
quando
me apetece tomar
leite?
Por
que é que me dizem que
sou teimoso,
quando
os meus pais é
que são insistentes?
Tantas
perguntas e
tão poucas respostas!
Se
por um lado, sou
pequenino para
tomar as minhas decisões;
por
outro, sou
crescido demais para
fazer birras!
Não
tem sido nada fácil.
No
entanto, acredito que,
com mais empenho e esforço
da minha parte,
conseguirei atingir
os objectivos por
mim traçados.
2º aniversário
Estou a ficar
crescido.
Pelo menos é o
que me dizem.
Já tenho dois
anos e já chego a todo o lado.
E quando não
consigo, pego numa cadeira.
Não entendo é
porque a minha mãe fica tão chateada comigo.
Só quero ver
aquela coisa interessante e reluzente que está em cima do armário...
Sou apenas um
menino curioso e com muita vontade de aprender.
Quando aprendi
a gatinhar foi alegria geral.
Quando comecei
a andar ficaram todos orgulhosos pela minha destreza.
Quando peguei
na colher para comer sozinho ficaram enternecidos pelo meu esforço em ser independente.
Quando me
distraio e digo uma palavra de adulto ficam todos muito espantados.
Nem quero
imaginar como vai ser quando deixar a minha linguagem e passar a usar
exclusivamente
aquelas palavras desinteressantes e sem imaginação dos adultos!!
A chupeta?
Já nem preciso
assim tanto dela.
Aliás, até
acho que é ela que precisa mais de mim!
Só a uso para
tranquilizar os meus papás.
Acho que devo
ficar com um ar mais mimoso...
O balanço
destes dois anos?
Tem sido
interessante ver a evolução e o crescimento dos meus papás!
Mas... ainda
têm um longo caminho pela frente!
Nem sabem o
que lhes espera!
1º aniversário
Um ano de vida.
Um ano de descobertas.
Um ano de aventuras.
Tanto que cresci.
Tanto que aprendi.
Tanto para aprender.
Ufa... que azáfama!
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