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sábado, 31 de agosto de 2013

Deixar a vida a meio



No momento do nosso nascimento, é-nos dada a vida por completo. Pelo menos, é nisso que acreditamos de cada vez que ouvimos o primeiro choro de alguém recém-chegado. Este momento é acompanhado de muita alegria e esperança num futuro que não se conhece, mas que se espera próspero em felicidade.
A vida deveria ser desfrutada na sua plenitude. Vivida com prazer. Com tempo. Com minúcia. Sem medida. No seu todo. No entanto, muitos deixam a vida a meio: partem sem que haja uma razão que ajude a apaziguar tal perda. E quando tal infortúnio acontece há revolta. Há tristeza. Há um vazio que se apodera de quem fica: o porquê? tantas vezes gritado numa dor sem fim.
Não deveria haver lugar a tal experiência. A vida deveria ser com um princípio, com um meio e com um fim bastante longos. Suficientemente longos para que pudéssemos saborear cada fôlego, cada tudo a que temos direito a partir do momento em que nos deram a vida. Mas não. Não é assim que funciona. A vida tem razões que não percebemos: ciclos que são quebrados; vidas que são arrancadas.
Não sabemos o que nos espera. A possibilidade de deixarmos a vida a meio é posta em cima da mesa desde o nosso primeiro dia. Por isso, e por sabermos que essa possibilidade se pode tornar numa realidade a qualquer momento, vivamos. Vivamos tudo. Tudo o que podemos viver. Tudo o que queremos viver. Assim, se um dia deixarmos a vida, já não será a meio, mas a três (melhor: quatro) quartos do fim.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

De ti



De ti: quero mais.
Quero o teu tempo;
os teus dias livres
de obrigações insípidas:
tenho todo o sabor
de que precisas.
Quero a tua entrega;
o teu todo
completo só para mim:
fazemos o pleno
da perfeição.
Quero o teu carinho;
a tua atenção:
devagarinho:
sedução.
De ti: quero mais.
Muito mais.
Mais do que me dás.
Mais do que imaginas.
De ti: quero tudo.
Tudo o que sei
que tens para me dar:
está, aí, guardado,
bem dentro de ti,
pela tua razão contrária
à razão de mim.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Amores que ficam...



Fantasia, quase infantil,
de um amor platónico:
perfeito na sua concepção.
Imaginação criada
nos pensamentos carentes
de realidade apaixonada.

Relação de amor sem amantes.
Intensidade de sentimentos
reprimidos pelo desejo:
pecado imaculado
por palavras incorpóreas
no corpo de uma paixão.

Seres que se querem
sem poderem querer:
suposição do que seria se fosse.
Hipótese conjecturada
no campo das alternativas passadas:
utopia no presente que escolheram.

Amor platónico:
a paixão que fica…


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Intermitências



Depois da bagunça,
que nos invade a calma,
e do ruído, que nos sai do corpo,
vem o entorpecimento da alma.

Somos mutantes
na génese do que fomos:
surgimos puros de felicidade:
partimos cansados do que passou.

E, lá pelo meio,
vamos saltando as margens deste rio:
ora corremos nas cascatas do prazer;
ora andamos no mar das tormentas.

Depois da tranquilidade,
tirada a ferros aquecidos
no lume do desespero,
vem a crença no novo dia.

E nestas intermitências
de trevas e de luz
vamos construindo sonhos
sobre devaneios de areia.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O vento irrequieto



Vento que sopra
e leva a leveza do que há.
Fluido que não se vê:
sente-se na pele;
crê-se nas almas
que pairam perdidas
neste mundo desorientado.
Vento que refresca corpos
e inflama paixões.
Movimento em vão
em busca de salvação
desta asfixia
em que sufocamos.
Vento que vem
e vai na direcção dos sonhos.
Agitação dos deuses
loucos por nos acalmar
desta nossa insanidade.
Vento que inscreve,
na areia da praia,
as memórias de uma tarde de Verão.

Este vento não pára
quieto no canto da quietude:
é vento. Não é rochedo.