No momento
do nosso nascimento, é-nos dada a vida por completo. Pelo menos, é nisso que
acreditamos de cada vez que ouvimos o primeiro choro de alguém recém-chegado.
Este momento é acompanhado de muita alegria e esperança num futuro que não se
conhece, mas que se espera próspero em felicidade.
A vida
deveria ser desfrutada na sua plenitude. Vivida com prazer. Com tempo. Com
minúcia. Sem medida. No seu todo. No entanto, muitos deixam a vida a meio: partem
sem que haja uma razão que ajude a apaziguar tal perda. E quando tal infortúnio
acontece há revolta. Há tristeza. Há um vazio que se apodera de quem fica: o porquê?
tantas vezes gritado numa dor sem fim.
Não deveria
haver lugar a tal experiência. A vida deveria ser com um princípio, com um meio
e com um fim bastante longos. Suficientemente longos para que pudéssemos
saborear cada fôlego, cada tudo a que temos direito a partir do momento em que
nos deram a vida. Mas não. Não é assim que funciona. A vida tem razões que não
percebemos: ciclos que são quebrados; vidas que são arrancadas.
Não sabemos
o que nos espera. A possibilidade de deixarmos a vida a meio é posta em cima da
mesa desde o nosso primeiro dia. Por isso, e por sabermos que essa
possibilidade se pode tornar numa realidade a qualquer momento, vivamos.
Vivamos tudo. Tudo o que podemos viver. Tudo o que queremos viver. Assim, se um
dia deixarmos a vida, já não será a meio, mas a três (melhor: quatro) quartos do fim.




