Perdoar não é natural;
não é instintivo.
Perdoar é reflectir,
racionalizar as emoções
exaltadas e desfiguradas
pela dor e pela desilusão.
É fazer por esquecer.
É esquecer de lembrar.
É desprezar a mágoa
e atirá-la para o poço da não memória.
Perdoar não é natural,
mas é ser-se humano
na sua verdadeira acepção.
E é humanamente difícil ser-se humano
quando temos que perdoar alguém…

Não sou muito versada em poesia, prefiro prosa, mas este poema consegue exprimir a dificuldade em perdoar, mesmo que se queira. Somerset Maugham, um dos meus escritores preferidos na minha adolescência, dizia «é mais fácil perdoar um inimigo do que um amigo» e é bem verdade. Como se vai perdoar uma pessoa que se ama e que supostamente nos ama, quando as emoções são exacerbadas pela desilusão e pela dor, não é natural, a memória e a dignidade não nos deixam...
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