A porta da nossa casa é a
nossa segurança. A nossa privacidade. Muito se diz atrás de uma porta. Muito se
faz, também! Ai se as portas falassem!!!
No entanto, a porta vai
muito além disso! A porta é a passagem para o que queremos; é o ultrapassar da
nossa intimidade e o entrar no que é público. É sairmos da nossa redoma opaca e
penetrarmos na transparência de uma sociedade atenta a qualquer falha.
Não é por acaso que as
portas principais de uma casa são robustas e, normalmente, sem qualquer
visibilidade para o interior (e para o exterior! O que é ainda mais castrador!!!).
Podemos ter uma casa repleta de enormes janelas evidentemente frágeis. Podemos
até ter um telhado acessível a qualquer um. Mas a porta não. A porta tem que
ser resistente a tudo. Quase à prova de bala. Como se a porta, sozinha, nos
fosse proteger do que quer que fosse.
A porta não impede,
apenas, que os outros entrem na nossa casa e violem o que mais estimamos. A
porta impede-nos de ver o mundo lá fora; de viver verdadeiramente em comunidade
e de partilhar o que é de mais nosso.
Já não se vêem portas
escancaradamente abertas como antigamente. Nem nas aldeias mais remotas (tão triste esta visão -
a de uma aldeia fechada em si e fechada para os outros!!!). Todavia, as portas
ainda se abrem. Timidamente, mas abrem-se.

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