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domingo, 28 de abril de 2013

A porta aberta



A porta da nossa casa é a nossa segurança. A nossa privacidade. Muito se diz atrás de uma porta. Muito se faz, também! Ai se as portas falassem!!!
No entanto, a porta vai muito além disso! A porta é a passagem para o que queremos; é o ultrapassar da nossa intimidade e o entrar no que é público. É sairmos da nossa redoma opaca e penetrarmos na transparência de uma sociedade atenta a qualquer falha.
Não é por acaso que as portas principais de uma casa são robustas e, normalmente, sem qualquer visibilidade para o interior (e para o exterior! O que é ainda mais castrador!!!). Podemos ter uma casa repleta de enormes janelas evidentemente frágeis. Podemos até ter um telhado acessível a qualquer um. Mas a porta não. A porta tem que ser resistente a tudo. Quase à prova de bala. Como se a porta, sozinha, nos fosse proteger do que quer que fosse.
A porta não impede, apenas, que os outros entrem na nossa casa e violem o que mais estimamos. A porta impede-nos de ver o mundo lá fora; de viver verdadeiramente em comunidade e de partilhar o que é de mais nosso.
Já não se vêem portas escancaradamente abertas como antigamente. Nem nas aldeias mais remotas (tão triste esta visão - a de uma aldeia fechada em si e fechada para os outros!!!). Todavia, as portas ainda se abrem. Timidamente, mas abrem-se.


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