A ânsia de vasculhar
a caixa de correio
em busca de uma carta tua.
O entusiasmo com que a abria
e lia cada palavra que tinhas escrito,
propositadamente, para mim.
Tinhas tirado do teu tempo para mim!
Fantástico!
Já não se escrevem cartas.
Não com o mesmo significado.
Não se abreviavam palavras;
nem sentimentos.
Tudo era escrito ao pormenor,
com cuidado,
com minúcia.
Quando se escrevia uma carta,
o tempo era nosso
e tudo parava
enquanto a caneta falava por si.
Escrever não era uma perda de tempo,
mas um momento que era só nosso.
As partilhas;
as confidências;
os desabafos.
As cartas que me escreveste
tenho-as eu bem guardadas,
numa velha caixa cheia de memórias,
desde o momento que te conheci.

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