Lembras-te de mim?
Estarei eu,
por obra de puro milagre,
dentro da tua caixinha das memórias?
Farei eu parte, de alguma forma,
da tua vida, mais íntima e privada,
por ti vagamente conhecida?
Olha-me nos olhos
e diz-me que não te lembras de mim.
Diz-me que não te recordas
daquela conversa que tivemos
debaixo de uma chuva tão interminável
como as nossas palavras
timidamente apaixonadas!;
diz-me que não te recordas
de mim e de ti, juntos,
sempre juntos,
a confidenciar segredos
que não queríamos revelados!
Diz-me!
Diz-me que me apagaste
qual água do mar na areia da praia!
Diz-me que tudo que veio connosco
já se foi para nunca mais voltar!
Não. Não me digas nada.
O teu silêncio já disse tudo!

Sem comentários:
Enviar um comentário