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segunda-feira, 29 de abril de 2013

O mendigo



Parado. Encostado a um canto. Cheio de uma vergonha que só tu conheces.
Sussurras palavras imperceptíveis traduzidas na tua mão, trémula, estendida.
As pessoas andam apressadas, enquanto tu, pobre miserável (ostracizado por esta sociedade autista), queres, apenas, pão para saciar a fome que não te larga.
Outrora homem de trabalho duro, foste tramado pelas tramas da vida.
Enfraquecido, naufragaste num mar revolto e enregelado pelo egoísmo da modernidade.
Questionas-te, muitas vezes, como é que chegaste tão fundo neste poço, mas a resposta tarda em chegar.
Não sabias o que te esperava (ninguém sabe, aliás).
Culpas-te pela não vida que tens. Culpas os outros. O mundo. A própria vida.
Aqui não há culpado, nem culpa. Apenas a mão do triste acaso. E o acaso pode sempre mudar. Precisa é da ajuda de todos nós e que tu te deixes realmente ajudar.


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