Parado. Encostado a um
canto. Cheio de uma vergonha que só tu conheces.
Sussurras palavras imperceptíveis traduzidas
na tua mão, trémula, estendida.
As pessoas andam apressadas,
enquanto tu, pobre miserável (ostracizado por esta sociedade autista), queres,
apenas, pão para saciar a fome que não te larga.
Outrora homem de trabalho
duro, foste tramado pelas tramas da vida.
Enfraquecido, naufragaste
num mar revolto e enregelado pelo egoísmo da modernidade.
Questionas-te, muitas
vezes, como é que chegaste tão fundo neste poço, mas a resposta tarda em
chegar.
Não sabias o que te
esperava (ninguém sabe, aliás).
Culpas-te pela não vida
que tens. Culpas os outros. O mundo. A própria vida.
Aqui não há culpado, nem
culpa. Apenas a mão do triste acaso. E o acaso pode sempre mudar. Precisa é da ajuda
de todos nós e que tu te deixes realmente ajudar.

Sem comentários:
Enviar um comentário