Viver na
aldeia é viver em comunhão; em comunidade; de porta aberta e janela
escancarada.
É viver no
lugar onde todos se conhecem e cumprimentam com palavras que se ouvem.
É viver
pelos vizinhos
as suas
dores;
as suas
mágoas;
as suas
tragédias
e voltas da
vida.
É viver na
boca de um povo apreciador de um qualquer deslize na casa alheia: haja abade que
perdoe tais pecados!
É viver na
melodia da natureza envolta em campos e lavoura e árvores e flores e raízes e
terra.
É viver e conviver
com a manada imponente que passa na rua; com o rebanho a tilintar às ordens de pastores
humanos e caninos.
Viver na aldeia
é suor,
é labuta,
é dureza,
é imundície
nos pés
e calos nas
mãos.
É viver de
galochas e ancinhos; sacholas e foices ao pé da cama prontos a acordar com o
galo a cantar.
O lugar da
aldeia passa despercebido pelo tempo que muda com as luas e desperta com o sol.
Ainda bem
que há lugares assim!

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