“Olha-me
este! Quer a janta acabadinha de fazer para: chegar: sentar: abocanhar:
grunhir: levantar: sair. Aqui a escrava que faça (e bem feito!) e que arrume.
Ao que parece não faço mais do que a minha obrigação.
Depois de um dia extenuante no emprego, tenho uma noite extenuante em casa. Quando finalmente estico os meus ossos, na cama forjada de sangue e lágrimas, e acho que vou ter o meu momento de descanso: chega o gajo! Estou lixada! O vasilhame tropeça nas paredes da casa; insulta os móveis por estarem no meio do caminho. Chama por mim: não lhe respondo: estou a dormir.
Depois de um dia extenuante no emprego, tenho uma noite extenuante em casa. Quando finalmente estico os meus ossos, na cama forjada de sangue e lágrimas, e acho que vou ter o meu momento de descanso: chega o gajo! Estou lixada! O vasilhame tropeça nas paredes da casa; insulta os móveis por estarem no meio do caminho. Chama por mim: não lhe respondo: estou a dormir.
Mas o que é
isto? Agora queres que te dê a minha dignidade: a única dignidade que me resta?
Acedo. Quero-te longe de mim. E depressa. Vá. Despacha-te com isso! Já está?
Óptimo.
Cai para o
lado: vira as costas: o ronco eleva-se ao nível do insuportável (curiosa
analogia). Levanto-me. Tenho que me lavar. Tenho que o tirar de mim para me
sentir limpa.
Agora?
Agora, vou ter o meu sossego. Amanhã será outro dia. Talvez. Quem sabe… ”

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