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sábado, 21 de setembro de 2013

A Carta



 “Meu filho,

és carne que fiz no amor
que me unia ao teu saudoso pai.
Cedo percebi que, também, tu
serias passageiro na minha vida.
Antes que o tempo te embarcasse
para além deste mar
que tantas vezes me viu chorar,
fiz-te a fortaleza que és.
Não te dei à luz:
tu, meu filho, é que me deste a luz
que me iluminou
ao longo de todo o meu caminho.

Chegou agora o momento:
a vida quer-te a voar
para o horizonte que anseias.
Não temo por ti - sei de que és feito.
Apenas esta imperfeição de mãe
queria que os olhos vissem para sempre
o que a alma sente desde o primeiro instante.
Não ligues: não irei ver-te,
mas irei olhar-te à distância de uma palavra
cheia de tudo aquilo que te desejo:
um ano com pegadas de gigante
e uma mala repleta de concretizações.”


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