A minha memória fica algures
entre o esquecido,
o imaginado
e o vago.
País encantado
pela magia de quem tinha
os olhos demasiado grandes
para tudo aquilo que via:
tudo era mistério e aventura.
Histórias que fizeram história
num livro ainda por escrever.
Algumas páginas estão em branco:
apagadas com o nada
que importasse guardar.
Outras estão embaciadas
pela humidade do tempo,
matreiro, que teima
em trazer o vento norte.
A minha memória fica algures
entre ali e além:
pedaços da minha vida
enterrados pelos sítios
onde já fui criança.
Uma vez só.
Fui.

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