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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A fotografia



Retrato instante
de um rosto teatral
com histórias detidas
no olhar espelhado.

Retrato momento
passado a preto e branco
nos lugares de infância:
recordações que ficam.

Retrato memória
de pedaços de uma vida
reproduzida naquele
ali sem igual.

Retrato verdade
de sentimentos embrulhados
nas lembranças
do que foi e não volta.

A fotografia:
a arte presente do passado quase futuro.


domingo, 29 de setembro de 2013

Amores desfasados



Preciso do que és.
Do teu suco.
Da tua raiz.
Do que és feita para mim
quando, perdida, me encontras
entre o que fazemos
e o que somos.
Preciso-te com sede de sol,
de brisa, de andorinhas:
és a Primavera
no meu Inverno
casmurro e sisudo.
Preciso-te na frescura
do teu sorriso nas manhãs
em que despertas
o meu novo dia.
Quando abres as janelas
e deixas que a luz
invada esta velha alma.
Que viste em mim?
Sou amor perdido:
sofro as maleitas das loucuras
anteriores ao passado
dos livros que já leste.
O teu viço doí-me:
és o que fui
quando ainda nem eras.
És mulher beleza
que adoro
e choro:
o tempo tem inveja de nós.


sábado, 28 de setembro de 2013

Olhar sem ver



Olhar em frente para o que vem.
Olhar em frente,
tão em frente,
tão obcecadamente em frente,
apaga os lados ali ao lado.
O que está: desprezado.
Escurece a lucidez
do espírito do que já fomos e.
Somos ásperos.
Amargos.
Deixamos de acreditar
na alegria do agora.
Deixamos de confiar.
Em isto.
Em este.
Em eu.
O próximo.
O perto.
Não vemos: de tão longe que olhamos.
Aquilo.
Aquele.
Idolatrados
como deuses imaculados.
Olhar em frente
como se as montanhas planícies fossem;
como se as sombras trouxessem luz
à escuridão que, sem sabermos, buscamos.
Olhar em frente
com olhos de avidez
e visão de nevoeiro.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Medo Pesadelo



Caem naifas sobre o meu dorso
tombado com as dores
que correm nas minhas veias.
O meu espírito vadio
está crivado de loucuras e de ópios;
de vícios e de alucinações
que me conduzem aos meus demónios.
Deambulo pelas ruas desertas de almas
(cheias de corpos penados)
e vejo abutres a pairar sobre mim.
Sinto-me a enfraquecer.
Sinto-me a desfalecer no frio da rua imensa.
Estou só. Abandonado por quem me amou;
por quem me conheceu;
por quem me odiou de coração.
Abandonado pelo passado. Por mim.
Arrastado para o mais baixo chão lamacento,
pestilento, e espezinhado
pelo silêncio aterrador do meu declínio.
Sinto o peso do mundo cair sobre mim:
enterro-me nas vozes que oiço gritar
a minha condenação perpétua.
A minha dor.
A minha loucura.
A minha morte. Só.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Fica comigo



Aonde quer que vás.
Onde quer que estejas.
Fica comigo.
Não. Não precisas de falar.
Não é da tua voz que sinto falta.
O teu estar.
O teu querer.
O teu esperar por mim.
O teu apertar de dedos
em busca da minha mão.
O teu olhar: sorri quando me vê:
tem saudades de dias
que nem horas são.
Fica comigo.
Enquanto os anos
não nos atropelam o tempo
que não passámos juntos.
Até olharmos para trás
e vermos o que já fomos
no pretérito-mais-que-perfeito.
Fica comigo.
Para além de nós.
Para além daqui.
Além.