Animais insatisfeitos, fomos crescendo sempre com fome de mais.
A nossa astúcia e ambição trouxeram-nos o sonho da nossa existência:
conforto;
segurança;
qualidade de vida.
A natureza, suja e cansativa, foi colocada no plano do antigamente.
Agora, vivemos enjaulados nas grades mornas que construímos.
Vivemos numa sociedade de objectos impessoais. Frios.
Demasiado perfeitos.
Demasiado pensados.
Vivemos mais tempo o tempo que não temos:
corremos, desenfreadamente, atrás da razão da nossa vida e, quando
paramos, vemos quão absurda é.
A ingratidão paga-se. E paga-se com esta eterna insatisfação de tudo e
valorização de nada.
A natureza não brinca.

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