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sábado, 11 de maio de 2013

A partida



Ver abandonar o corpo, doente, fragilizado pela fraqueza que venceu uma batalha sempre injusta.
Nunca estamos preparados.
O corpo é o que nos liga a esta terra tão bonita e tão malévola. Cheia de dor e cheia de vida.
Ver partir quem amamos, quem conhecemos, é doloroso.
Deixar de ver aquela pessoa; deixar de ouvir a sua voz. Magoa. Muito.
O corpo deixa de existir - sim -, mas podemos sempre homenageá-la
ao lembrarmo-nos dela,
ao pensarmos nela,
ao vê-la em outra pessoa que vemos na rua,
ao falarmos baixinho com ela.
O corpo desaparece. A alma permanece sempre junto de nós.
Não podemos, jamais, passar momentos juntos, mas podemos mostrar-lhe onde estamos e como gostaríamos que ali estivesse connosco.
Não é o ideal, mas é a vida – complicada como só ela sabe ser.
Nunca estamos preparados, mas sabemos que é assim: nascer, crescer, amadurecer, envelhecer, morrer.
Desfrutemos, então, da presença física de quem prezamos para que, um dia, estejamos preparados para aceitar a inevitável partida. A de alguém. A nossa.


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