Novos. Velhos.
Doutorados. Analfabetos.
Ninguém fica indiferente perante o fenómeno da bola.
Vinte e dois homens, num campo, a correr, desalmadamente, atrás de um
objecto redondo. Vista desta forma, a imagem surge bastante medieval. Mas não.
É actual – em pleno século XXI.
Este esférico tem feitiço de bruxa endiabrada: o doutorado perde as
estribeiras e desce ao nível da ralé (usando um jargão muito próprio); o velho
esquece as maleitas e até rejuvenesce; a criança, espantada, aprende os factos
da vida e fica hipnotizada; os ânimos exaltam-se; a tensão aumenta; zangam-se
as comadres e, assim, desfazem-se lares de amizade.
O mundo do futebol é um caso de estudo. O que é que fará com que vinte
e dois marmanjos se ponham a correr atrás de uma bola como se o amanhã não
existisse mais? Será que, inconscientemente, vêem na bola a concretização de
algum desejo recalcado? Haverá, aqui, como os ingleses designam, algum mother issue?
Fica a reflexão.

Sem comentários:
Enviar um comentário