Cansada, sento-me no velho sofá lá de casa.
O meu corpo aterra nas profundidades do extremo e, tenho a sensação,
que de lá não saio tão cedo.
Fecho os olhos para me abstrair deste espaço que habito e oiço um
irritante tiquetaque.
Penso: é o relógio. O silêncio (tal como a noite) tem o magnífico dom
de amplificar os ruídos e os fantasmas que nos circundam e assombram: ligo a
televisão para me levar dali para fora: péssima ideia.
Continuo a ouvir o relógio e escolho ficar, ali, sentada no sofá: com
as pernas esticadas, uma almofada nas costas e uma mantinha fofa a cobrir-me as
pernas – qual velhota inválida.
O som ritmado, das horas que passam, parece-me, agora, uma bela canção
de embalar. Sinto o meu corpo a levitar e deixo-me levar. Relaxada, parto para
onde a mente me rapta: vivo situações bizarras, falo com pessoas que nunca vi e
estou num local tão estranho que só pode ser impossível. Penso: é um sonho.
Acordo e percebo que tinha adormecido.
Quinze minutos. Foram necessários apenas quinze minutos para que não
precisasse mais de sentir o aconchego de uma manta fofa.

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