Não chora as lágrimas
que devem ser derramadas;
não excomunga os ódios
que a atormentam e afligem.
A pessoa frágil
encerra em si
todas as dores do mundo
sem dó, nem piedade
da sua alma de gigante;
esquece-se na calçada,
perdendo-se nas ruas desertas
da humanidade.
Vê para além da fronteira;
ouve para além do som.
Não é fraca.
Está fragilizada pelas agruras
que lhe foram surgindo
e que, em vão, foi tentando combater.
A pessoa frágil
não está longe de nós:
pode estar em nós.
E pode irromper na distracção
de um olhar mais esquivo;
de uma palavra menos feliz.

Sem comentários:
Enviar um comentário