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terça-feira, 30 de abril de 2013

Este frenesim que não me larga



Estou aqui, mas não quero estar aqui.
Quero ir antes para ali, pois, ali,
está aquilo que quero para mim.
Chego, finalmente, ao ali e vejo
que já não quero o que estava neste ali.
Não quero estar aqui, nem ali.
Não quero isto, nem aquilo.
Não sei onde quero estar.
Não sei o quero para mim.
Não estou bem em lado nenhum,
pois lado nenhum me satisfaz.
Sinto-me a explodir o nada
que me esvazia e perde
nesta indefinição do meu querer.               
Ando cheio deste eu que não sabe o que quer.
Ando, para aqui, aos trambolhões,
ao sabor da hesitação que se apoderou
desta alma que anda perdida de si.
Não sei onde é o meu lugar,
pois nenhum encaixa em mim;
não sei onde é o meu mundo,
pois esta pequenez não é minha.
Sinto-me insatisfeito com algo
que não sei definir;
sinto-me ingrato com a vida
que não vivo por não saber.
Este frenesim não me larga…


segunda-feira, 29 de abril de 2013

O mendigo



Parado. Encostado a um canto. Cheio de uma vergonha que só tu conheces.
Sussurras palavras imperceptíveis traduzidas na tua mão, trémula, estendida.
As pessoas andam apressadas, enquanto tu, pobre miserável (ostracizado por esta sociedade autista), queres, apenas, pão para saciar a fome que não te larga.
Outrora homem de trabalho duro, foste tramado pelas tramas da vida.
Enfraquecido, naufragaste num mar revolto e enregelado pelo egoísmo da modernidade.
Questionas-te, muitas vezes, como é que chegaste tão fundo neste poço, mas a resposta tarda em chegar.
Não sabias o que te esperava (ninguém sabe, aliás).
Culpas-te pela não vida que tens. Culpas os outros. O mundo. A própria vida.
Aqui não há culpado, nem culpa. Apenas a mão do triste acaso. E o acaso pode sempre mudar. Precisa é da ajuda de todos nós e que tu te deixes realmente ajudar.


domingo, 28 de abril de 2013

A porta aberta



A porta da nossa casa é a nossa segurança. A nossa privacidade. Muito se diz atrás de uma porta. Muito se faz, também! Ai se as portas falassem!!!
No entanto, a porta vai muito além disso! A porta é a passagem para o que queremos; é o ultrapassar da nossa intimidade e o entrar no que é público. É sairmos da nossa redoma opaca e penetrarmos na transparência de uma sociedade atenta a qualquer falha.
Não é por acaso que as portas principais de uma casa são robustas e, normalmente, sem qualquer visibilidade para o interior (e para o exterior! O que é ainda mais castrador!!!). Podemos ter uma casa repleta de enormes janelas evidentemente frágeis. Podemos até ter um telhado acessível a qualquer um. Mas a porta não. A porta tem que ser resistente a tudo. Quase à prova de bala. Como se a porta, sozinha, nos fosse proteger do que quer que fosse.
A porta não impede, apenas, que os outros entrem na nossa casa e violem o que mais estimamos. A porta impede-nos de ver o mundo lá fora; de viver verdadeiramente em comunidade e de partilhar o que é de mais nosso.
Já não se vêem portas escancaradamente abertas como antigamente. Nem nas aldeias mais remotas (tão triste esta visão - a de uma aldeia fechada em si e fechada para os outros!!!). Todavia, as portas ainda se abrem. Timidamente, mas abrem-se.


sábado, 27 de abril de 2013

Brincar



Tenho saudade de brincar.
Criar estórias e enredos
e passar horas infinitas
de volta das minhas personagens
e viver as suas vidas
feitas por mim.
Correr estrada fora
atrás de sonhos ainda por descobrir
e, sem saber,
ser feliz por ser criança.
Andar de bicicleta
por caminhos agora velhos
e sentir a liberdade
de viver no campo.
Do nada fazer o muito que fazer e aprender.
Aventuras traquinas
e cheias de emoção.
Tenho saudade de brincar.
Um dia destes,
vou soltar o eu criança
e brincar até o sol se esconder no horizonte.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sonhei que voava



Sonhei que voava.
Sonhei que, mesmo sem asas,
percorria, com a leveza do meu corpo
e a destreza dos meus braços,
campos verdes que desconheço.
Voava bem
e com toda a naturalidade.
Tão depressa
estava lá no alto a observar,
como, de repente,
inclinava o corpo
e rasava as copas das árvores.
Que sensação!
Não havia cansaço;
não havia esforço.
Sentir o vento no rosto;
a frescura da vida;
a imortalidade em mim.
Sonhei este sonho
quando a juventude era ainda criança
e todos os sonhos, acordados,
eram tidos como próprios
e adequados.
Foi um sonho
que nunca mais esqueci,
pois nunca mais voei.
No entanto, nunca deixei de sonhar…