Já muito se
escreveu sobre o tema da amizade. No entanto, nunca será um tema esgotado.
Muito menos numa sociedade cada vez menos fisicamente sociável e cada vez mais
virtualmente social.
Se se fizer
um inquérito de rua, qualquer pessoa define concretamente o que é ser amigo ou,
melhor ainda, o que é ter um amigo. Sim, porque ser ou ter são conceitos
completamente diferentes. O que muitas pessoas se esquecem (e são tantas as que
se esquecem!!) é que antes de se ter “direito”
a um amigo, há a “obrigação” de se ser amigo. Por norma, rejeito estas
expressões que mais parecem de um qualquer sindicato reivindicador, mas acho
que, aqui, se aplicam na perfeição.
Não posso reclamar de não ter amigos, se não
for amiga. Isto é uma condição sine qua
non nesta equação progressivamente complexa. Porquê tão complexa? Como não
deveria deixar de ser, porque o adulto complica o que é fácil e óbvio. Até
porque a criança, na sua ingenuidade natural e intrínseca, é honesta em toda a
sua plenitude. Se está contente com o amigo demonstra-o entusiasticamente; se
está zangada também não se faz de rogada e revela-o de uma forma perfeitamente genuína.
Não há tabus, preconceitos, mágoas, ressentimentos, recalcamentos. É preto no
branco. Simples e objectiva, a criança facilmente resolve os seus conflitos. Já
o adulto não. Adulto que é adulto complica e emaranha as relações em que se
envolve. Quantas e quantas vezes, relações (amorosas ou de simples amizade)
terminam de forma inexplicável? Quantas e quantas vezes, o problema está, só e
apenas, na enorme falta de comunicação (resultado do imenso orgulho absurdo)? E
a inveja? Quantas e quantas vezes, esse diabólico sentimento invade o coração e
tolda a cabeça das pessoas, destruindo uma relação anteriormente saudável e
aparentemente pura?
Não vou definir
aqui o que é a amizade. Esse não é o meu propósito. Apenas quero fazer uma
pergunta retórica que faça reflectir e, se possível, mudar o rumo das nossas
atribuladas vidinhas: já falou com algum amigo hoje?

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