Sempre
gostei de manter-me informada. Ouvia as notícias com atenção e sabia, mais ou
menos, como corria o mundo e, acima de tudo, o meu país. Foi assim durante
muitos anos. Foi… até bastante recentemente.
Por instinto
e saturação, decidi diminuir a intensidade da minha atenção sobre as notícias.
E diminuiu tanto que, agora, pouco sei do que se passa. Nem quero saber! Não
quero saber se o senhor com nome de erva tirou um curso mais rápido do que o
inter-cidades Porto- Lisboa; não quero saber se o senhor com nome de filósofo
foi meditar à francesa; não quero saber do coelho saltitão, do janelas que mete
água, nem do fantasma gasparzinho que nos assombra e azucrina a vida. Não me
interessa. Não me interessam. Quem me interessa é quem está a meu redor. O que
me interessa é EU. O resto…
As desgraças
não trazem felicidade; a crise não alimenta, nem satisfaz; as opiniões, dos
supostos entendidos nas diversas matérias da actualidade, que não são mais do
que sempre do mesmo, não melhoram em nada a situação. Não sou nenhuma avestruz,
nem ando de olhos vendados e ouvidos tapados. Apenas não dou a atenção que dava
às notícias. A atenção deixou de ser devida a partir do momento em que comecei
a sentir que os noticiários me faziam mal e me angustiavam.
Não preciso
que me enterrem antes do meu enterro. Preciso, isso sim!, que me façam renascer.
Renovar. Precisamos todos, aliás! Por isso, as vozes que oiço são longínquas,
inócuas e indolores. No entanto, confesso: ando alheada, mas não distraída.


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