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sábado, 30 de março de 2013

Alheamento



Sempre gostei de manter-me informada. Ouvia as notícias com atenção e sabia, mais ou menos, como corria o mundo e, acima de tudo, o meu país. Foi assim durante muitos anos. Foi… até bastante recentemente.
Por instinto e saturação, decidi diminuir a intensidade da minha atenção sobre as notícias. E diminuiu tanto que, agora, pouco sei do que se passa. Nem quero saber! Não quero saber se o senhor com nome de erva tirou um curso mais rápido do que o inter-cidades Porto- Lisboa; não quero saber se o senhor com nome de filósofo foi meditar à francesa; não quero saber do coelho saltitão, do janelas que mete água, nem do fantasma gasparzinho que nos assombra e azucrina a vida. Não me interessa. Não me interessam. Quem me interessa é quem está a meu redor. O que me interessa é EU. O resto…  
As desgraças não trazem felicidade; a crise não alimenta, nem satisfaz; as opiniões, dos supostos entendidos nas diversas matérias da actualidade, que não são mais do que sempre do mesmo, não melhoram em nada a situação. Não sou nenhuma avestruz, nem ando de olhos vendados e ouvidos tapados. Apenas não dou a atenção que dava às notícias. A atenção deixou de ser devida a partir do momento em que comecei a sentir que os noticiários me faziam mal e me angustiavam.
Não preciso que me enterrem antes do meu enterro. Preciso, isso sim!, que me façam renascer. Renovar. Precisamos todos, aliás! Por isso, as vozes que oiço são longínquas, inócuas e indolores. No entanto, confesso: ando alheada, mas não distraída.



sexta-feira, 29 de março de 2013

A mácula da imperfeição



A imperfeição
é magnífica.
Extraordinária.
Cada marca,
cada assimetria,
cada defeito
identifica-nos.
Individualiza-nos.
Torna-nos especiais.
Únicos na multidão.
A natureza quer-nos
imperfeitos
para que cada um de nós
seja excepcional.
Exclusivo.
Somos o corpo da imperfeição.
Não a devíamos rejeitar,
mas adorar
como quem adora
o mérito do que é notável…



quinta-feira, 28 de março de 2013

Julgam que me conhecem!



Ninguém me conhece,
mas todos me julgam.
Julgam que me conhecem
e que me podem julgar.
Conhecer
é não julgar e aceitar
o que se julga impossível
de conhecer.
Conhecer
é julgar o que se julga
impossível de aceitar.
E nesta ofuscada clareza
de julgar que se conhece e aceita
está a simplicidade da humanidade...




quarta-feira, 27 de março de 2013

Ambição sedutora



Ambição
desmedida e
descontrolada
que me deixas impotente
perante a tua imponência.
Ambição
desgraçada
que me desgraças e
alucinas com o teu brilho
hipnotizador.
O teu magnetismo levou-me até ti.
Seduziu-me.
Deslumbrou-me.
De todos me afastei.
De ninguém quero saber.
És a minha força.
A minha maior fraqueza.
Sem ti nada sei.
Sem ti nada faço.
Quero-te.
Preciso-te.
Sem ti… nada sou!



terça-feira, 26 de março de 2013

O filme da nossa vida



O primeiro olhar.
A primeira conversa.
A primeira vez
que estamos perante
o outro protagonista
de uma história ainda por escrever.
A fita pára e
os movimentos são vistos
em câmara bastante lenta
como que para eternizar o momento.
Nada sabemos do que vem a seguir
e a excitação do desconhecido
leva-nos a uma representação
natural e instintiva.
Para cativar.
Para agradar.
Para provocarmos a continuação
deste enredo por ensaiar.
Desejamos que o enfado e a decepção
nunca façam parte do repertório.
Desejamos que o fim nunca chegue
a menos que o fim seja o fim físico
dos protagonistas.