Estás deitada na cama,
que partilhámos,
e, sem saberes, observo-te:
os teus cabelos,
revoltos, na almofada;
o teu rosto, cor de anjo,
está fechado para mim:
como a noite te faz serena!
Quando dormes és tu.
O simples tu.
Sem palavras exaltadas
pelo silêncio da desilusão.
Vejo-te a nudez da alma:
por quem me apaixonei.
Vejo o que já foste para mim
num passado que amámos.
Quantas memórias
trespassam os meus olhos!...
Abraças a almofada
como te agarravas a mim:
sinto a tua falta.
Estamos mais longe do nunca.
Nunca estivemos tão perto de nos afastar.
O dia está prestes a acordar-te.
A noite tarda em chegar…

Memórias que só a noite traz..
ResponderEliminare tarda em chegar...
Gostei!