O meu livro
não é de fácil leitura.
Tem
analepses e prolepses.
Enredos e fantasmas.
Tem vilões e
figurantes.
Cenários e criação.
Tem páginas
amachucadas,
dobradas,
rasgadas,
sublinhadas,
marcadas.
O meu livro
é assim: mágico.
Quem o vê,
parece ter as páginas em branco.
Mas, à
medida que é folheado,
as palavras
surgem em catadupa
cheias de
vontade própria.
O meu livro tem
folhas que nascem
do que foi
para o que vai ser.
Há sempre a
página seguinte
com o que se
segue.
Sempre assim
foi.
Sempre assim
será.
No dia em
que o meu livro for infecundo:
não nascerem
mais folhas:
podem fechá-lo
e pousá-lo
numa
qualquer estante.
A minha
razão chegou ao fim.

Livro pousado na estante?NUNCA!!! Mesmo com infecundidade, deve ser aberto, manuseado, mimado, acariciado e relido.
ResponderEliminarBj! Arménia