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domingo, 13 de outubro de 2013

A saudade presente



Existem as mais variadas formas de saudade. Podemos ter saudade de locais, de acontecimentos, de vivências, de momentos, de partilhas, de conversas, de nós, dos outros, dos nossos. De tudo e de nada.
Ter saudade é bom. É sinal que já vivemos algo de tão aprazível que, uns anos (ou dias, ou semanas, ou meses) mais tarde, sentimos o tal aperto, a tal nostalgia que nos faz querer recuar no tempo e vivenciar todas aquelas emoções que ficaram bem lá atrás. É sinal que fomos felizes e, se calhar, na altura, nem sabíamos. É sinal que a vida continuou e mudou e avançou.
Mas ter saudade é (como todos nós sabemos) dor, sofrimento, afastamento de quem mais gostamos e preocupamos. É estarmos longe, mas querermos estar perto, ali, ao pé. É a saudade daquilo, daquele. Do além. Esta é a saudade dolorosamente normal e universalmente conhecida e aceite.
No entanto, a pior das saudades (a saudade que não mata, mas magoa mais do que mil distâncias) é a saudade presente. A saudade de quem somos, mas não temos. A saudade do que temos, mas não vivemos. A saudade ignorada. Fria. A saudade presente: o corpo inerte que circunda as redondezas da infelicidade. A saudade do que vemos, mas não nos vê. A saudade sem suspiros, nem abraços apertados. A saudade da falta de amor sentido. A falta de saudade por amor perdido.
Existem as mais variadas formas de saudade. Mas há saudades mais salutares do que outras.


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