Existem as
mais variadas formas de saudade. Podemos ter saudade de locais, de
acontecimentos, de vivências, de momentos, de partilhas, de conversas, de nós,
dos outros, dos nossos. De tudo e de nada.
Ter saudade é
bom. É sinal que já vivemos algo de tão aprazível que, uns anos (ou dias, ou
semanas, ou meses) mais tarde, sentimos o tal aperto, a tal nostalgia que nos
faz querer recuar no tempo e vivenciar todas aquelas emoções que ficaram bem lá
atrás. É sinal que fomos felizes e, se calhar, na altura, nem sabíamos. É sinal
que a vida continuou e mudou e avançou.
Mas ter
saudade é (como todos nós sabemos) dor, sofrimento, afastamento de quem mais
gostamos e preocupamos. É estarmos longe, mas querermos estar perto, ali, ao pé.
É a saudade daquilo, daquele. Do além. Esta é a saudade dolorosamente normal e
universalmente conhecida e aceite.
No entanto,
a pior das saudades (a saudade que não mata, mas magoa mais do que mil
distâncias) é a saudade presente. A saudade de quem somos, mas não temos. A
saudade do que temos, mas não vivemos. A saudade ignorada. Fria. A saudade
presente: o corpo inerte que circunda as redondezas da infelicidade. A saudade
do que vemos, mas não nos vê. A saudade sem suspiros, nem abraços apertados. A
saudade da falta de amor sentido. A falta de saudade por amor perdido.
Existem as
mais variadas formas de saudade. Mas há saudades mais salutares do que outras.

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