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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O riso chorado



Quantas são as vezes
em que o riso tem mais lágrimas
que as lágrimas de um choro?
O riso contido
pela dor camuflada,
envergonhada.
Falsa força que surge do medo
de cair nos braços da tristeza sem fim.
Máscara da sobrevivência
na ilha deserta de afectos:
caminhos mal percorridos,
tropeçados nos enganos
das linhas que nos escreveram.
O riso chorado,
sentido com o sem sentido
de tudo o que nos rodeia.
Os porquês que crescem
com o aperto das almas desencontradas.
O riso em busca de si.
Ao encontro do que perdeu
algures num pretérito outrora perfeito.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

A espera



Aguardo calmamente,
sentada na poltrona da minha paciência,
que a vida esteja distraída
e consiga dela
o que dela me importa.
Mas quando paro para pensar
nesta minha espera,
sem desespero,
uma dúvida me surge:
estarei eu à espera
ou a ser esperada
nas curvas enredadas
desta minha vida
tão conhecedora de mim
e do meu sentir?
Se calhar, a poltrona
em que julgo estar sentada
nada mais é senão
o colo da ingenuidade
a amparar-me das canseiras da vida…


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sonhar com os olhos



Gosto de sonhar com os olhos.
Olhar pela janela
e trepar a árvore frondosa
que me chama até si.
Caminhar nos seus ramos
e sentir a frescura das folhas
no meu rosto ainda por crescer.
Ir até à sua copa
e tocar na delicia das nuvens brancas:
o céu baila diante de mim.

Gosto de sonhar com os olhos.
Ver os campos cheios de verde
e de vida e deitar-me
sobre as raízes que não esqueço
e adormeço para descanso da vida eterna.
Sentir o aroma do universo
entrar na minha pele
e deixar-me fundir na essência da criação.
Escutar as forças que me invadem
de mim para eu: aqui: estou bem.


domingo, 27 de outubro de 2013

O que me faz viver...



O meu livro não é de fácil leitura.
Tem analepses e prolepses.
Enredos e fantasmas.
Tem vilões e figurantes.
Cenários e criação.
Tem páginas amachucadas,
dobradas,
rasgadas,
sublinhadas,
marcadas.
O meu livro é assim: mágico.
Quem o vê, parece ter as páginas em branco.
Mas, à medida que é folheado,
as palavras surgem em catadupa
cheias de vontade própria.
O meu livro tem folhas que nascem
do que foi para o que vai ser.
Há sempre a página seguinte
com o que se segue.
Sempre assim foi.
Sempre assim será.
No dia em que o meu livro for infecundo:
não nascerem mais folhas:
podem fechá-lo e pousá-lo
numa qualquer estante.
A minha razão chegou ao fim. 


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A viagem que gostava de fazer



A viagem à vida que não tive.
Por desconhecer
que os muros também caem
com o sopro dos destinos
que se nos avizinham
escondidos nas esquinas da vida.
Por inércia preguiçosa
do fado desditoso,
impiedoso
escrito nas entrelinhas
das estrelas refasteladas
nas certezas que lhes convêm.
Gostava de fazer uma viagem
à vida que não tive para perceber
a que me foi dada a ter.
Esta. Tão banal. Tão minha.
Se calhar, seria a viagem perfeita
de regresso ao início de mim
onde tudo seria como foi
e acabaria como é.
Há viagens que nada mudam.
Será?