A tentação limita a razão.
A tentação de se ajuizar,
e mesmo julgar,
apenas pelo veredicto, falacioso,
dos nossos olhos.
A nossa visão, crente:
vê beleza onde há disfarce;
vê elegância onde há penitência;
vê riqueza onde há ostentação;
vê felicidade onde há encenação.
Os nossos olhos,
fúteis e preconceituosos,
trazem consigo o fardo da inveja.
Também ela fútil.
Também ela preconceituosa.
Se limpássemos os nossos olhos,
com a razão que anda esquecida,
veríamos, tudo, com a clareza
do que é transparente.
Assim? Assim, vemos uma cesta bonita,
mas uma cesta cheia de nada
rodeada de flores murchas
envenenadas pelos próprios olhos.

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