De onde virá tanta raiva que tanta gentinha tem de tanta gente?
Vem da cabeça, oca, de quem tem uma vida árida e ávida de emoção: é
pensar que pensa bem, quando pensa mal ou não pensa, de todo: é a
estupidificação do animal que está no homem: é tempo demais a viver a vida que
não tem, mas deseja.
A raiva produz uma energia electrizante: dá choque a quem está bem
consigo e com a vida.
A pessoa que vive da raiva é o abutre da infelicidade do outro; é o
agiota da miséria alheia.
A raiva não constrói nada que se veja - no entanto, sente-se quem dela
vive; sente-se no olhar que (imagina que) corta a veia jugular de quem tem êxito nas pequenas
coisas da vida – na sua mais profunda essência. Apenas destrói o pouco de bom
que poderia ser encontrado, algures, em quem tem raiva.
A raiva não impulsiona ninguém – nem mesmo o próprio. A sua única
função é ocupar o tempo de quem o tem em demasia e, assim, vai vivendo a sua
vidinha pequenina e medíocre.

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