A ilusão desiludida é a mais fatal das desilusões.
É liquidar o que de melhor o ser humano possui.
É desistir de viver a vida que nos foi oferecida com o amor de duas
peças perfeitamente encaixadas.
A ilusão desiludida chora pela dor que lhe infligem; retrai-se por pejo
da sua infantil inocência.
No isolamento do seu sofrimento, afasta-se de si e enclausura-se na
ilha do vazio que dela se apoderou.
Na vida, não deveria haver lugar a tal subterrâneo desgosto.
A ilusão é o condimento necessário para termos fé na nossa existência.
É o que nos faz querer acordar no dia seguinte ao de um qualquer pesadelo que
tenha ocorrido: não fosse a vida uma passagem muito estreita para o outro lado.
E, no entanto, precisamos de viver desilusões para sobrevivermos neste
mundo que parece não ter fim.

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