Levanto-me apressada para mais um dia de trabalhos:
acordo os miúdos: preparo-lhes o pequeno-almoço: enfio-me no
chuveiro para acordar para a vida:
arranjo-me: grito-lhes para se despacharem: dou uma
espreitadela no espelho para ver se alguma coisa não está bem: pego na carteira:
inspecciono a descendência: “está tudo ok”: saímos que nem balas:
o trânsito está caótico não fosse sexta-feira cheia de
chuva: no banco de trás há discussão sobre quem pôs a mão em quem: o tempo
parece estar contra mim: largo os miúdos na escola: chego atrasada ao trabalho:
a reunião vai começar mas ainda tenho tempo de ultimar os restantes
tópicos: vem o chefe: resmunga qualquer coisa: vem o potencial cliente: fala da
crise e do mau tempo: sento-me de computador em punho: tudo a postos:
os trinta minutos para almoço são passados entre garfadas e
contas à vida: regresso ao trabalho: o chefe está particularmente insuportável:
a minha cabeça lateja todos os ruídos deste planeta e arredores:
a chuva continua a não querer dar tréguas: vou buscar os
miúdos à escola: no banco de trás há discussão sobre quem vai jogar o quê: o
tempo parece estar contra mim: chegamos a casa:
preparo o jantar; os miúdos discutem sobre quem vai tomar
banho primeiro; grito-lhes para se despacharem; ponho a mesa; ponho roupa a lavar
na máquina; chega o marido: balbucia qualquer coisa: senta-se no sofá a
descansar do tremendo dia stressante de trabalho enquanto ameaço os miúdos para
virem para a mesa: jantamos num silêncio perturbador: arrumo a cozinha: o
marido volta a sentar-se no sofá a conversar animadamente com os miúdos:
estendo a roupa: preparo as roupas para o dia seguinte: vão todos para a cama:
vou tomar banho: deito-me na cama: o marido pergunta: “passa-se alguma coisa”
ao que eu respondo “não se passa nada na minha vida não se passa nada”

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