Vou ficar aqui no meu canto,
quietinha,
sem ruídos que me distraiam.
Não. Não quero a tua companhia,
nem o colo de ninguém.
Deixa-me entrar neste espaço
que é tão só meu
e não digas nada.
Quero aqui ficar
até me sentir esvaziar
de tudo o que me pesa.
Não preciso de conselhos,
de olhares inquisidores,
de censuras inoportunas,
de difíceis favores.
Também não te peço que me compreendas:
não sou texto corrido de uma fortuita inspiração
à espera de uma qualquer interpretação.
Quero apenas aconchegar a minha inquietude
e adormecer-me com admiração
pelos detalhes que escapas
e as texturas que apagas.
Preciso ser como sou.
Quero ser quem sou.
Será que posso?

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