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domingo, 28 de dezembro de 2014

Os tropeções



Por vezes, tropeçamos em pessoas que não conhecemos, ou conhecemos só por instantes da vida, e que, mais cedo ou mais tarde, passam de figurantes a personagens principais na nossa história. 
E tudo muda. 
Muda a nossa visão.
Muda o nosso comportamento.
Abrimos horizontes.
Abrimos os braços para abraçar o que concluímos ser realmente importante.
Não é por acaso que tomei as decisões que tomei: de nenhuma me arrependo.
Não é por acaso que me importo com as pessoas que me importam: todas fazem de mim o que sou.
Não é por acaso que sou de extremos: ou me apego, ou nem sequer existe.
Não é ao acaso que escolho os amigos para a vida. Escolho os mais imperfeitos, os mais honestos, os mais fortes de tão frágeis que são, os que se encaixam em mim e me completam, os genuínos, os que não têm medo de errar e admitem o erro, os que me invadem a alma e conquistam o que mais prezo em mim: a minha identidade.
Ao longo da minha vida já perdi, fiz, desfiz, errei, aprendi, confiei, apaguei, sonhei, chorei, lutei, caí, levantei, mas, acima de tudo, sei-me privilegiada por já ter sido acarinhada, desejada e amada (o amor é transversal: de sangue; de alma; de pele) em momentos diferentes por pessoas distintas. E é isto que fica no meio de tudo isto: sentir que temos valor para outra pessoa faz aumentar o nosso amor-próprio e auto-estima o que, por conseguinte, faz com que estejamos mais abertos a sofrer tropeções cada vez mais impactantes na nossa vida. 



quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Retrato de uma vida qualquer



Levanto-me apressada para mais um dia de trabalhos:
acordo os miúdos: preparo-lhes o pequeno-almoço: enfio-me no chuveiro para acordar para a vida:
arranjo-me: grito-lhes para se despacharem: dou uma espreitadela no espelho para ver se alguma coisa não está bem: pego na carteira: inspecciono a descendência: “está tudo ok”: saímos que nem balas:
o trânsito está caótico não fosse sexta-feira cheia de chuva: no banco de trás há discussão sobre quem pôs a mão em quem: o tempo parece estar contra mim: largo os miúdos na escola: chego atrasada ao trabalho:
a reunião vai começar mas ainda tenho tempo de ultimar os restantes tópicos: vem o chefe: resmunga qualquer coisa: vem o potencial cliente: fala da crise e do mau tempo: sento-me de computador em punho: tudo a postos:
os trinta minutos para almoço são passados entre garfadas e contas à vida: regresso ao trabalho: o chefe está particularmente insuportável: a minha cabeça lateja todos os ruídos deste planeta e arredores:
a chuva continua a não querer dar tréguas: vou buscar os miúdos à escola: no banco de trás há discussão sobre quem vai jogar o quê: o tempo parece estar contra mim: chegamos a casa:
preparo o jantar; os miúdos discutem sobre quem vai tomar banho primeiro; grito-lhes para se despacharem; ponho a mesa; ponho roupa a lavar na máquina; chega o marido: balbucia qualquer coisa: senta-se no sofá a descansar do tremendo dia stressante de trabalho enquanto ameaço os miúdos para virem para a mesa: jantamos num silêncio perturbador: arrumo a cozinha: o marido volta a sentar-se no sofá a conversar animadamente com os miúdos: estendo a roupa: preparo as roupas para o dia seguinte: vão todos para a cama: vou tomar banho: deito-me na cama: o marido pergunta: “passa-se alguma coisa” ao que eu respondo “não se passa nada na minha vida não se passa nada”

 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Posso?



Vou ficar aqui no meu canto,
quietinha,
sem ruídos que me distraiam.
Não. Não quero a tua companhia,
nem o colo de ninguém.
Deixa-me entrar neste espaço
que é tão só meu
e não digas nada.
Quero aqui ficar
até me sentir esvaziar
de tudo o que me pesa.
Não preciso de conselhos,
de olhares inquisidores,
de censuras inoportunas,
de difíceis favores.
Também não te peço que me compreendas:
não sou texto corrido de uma fortuita inspiração
à espera de uma qualquer interpretação.
Quero apenas aconchegar a minha inquietude
e adormecer-me com admiração
pelos detalhes que escapas
e as texturas que apagas.
Preciso ser como sou.
Quero ser quem sou.
Será que posso?



domingo, 21 de dezembro de 2014

O que tenho para te dizer



Deixa-me dizer-te
algo que me inquieta
antes que me arrependa:
és especial para mim.
Sabes que sou de poucas falas;
sabes que sou difícil de revelar.
Não é por ti que sou assim.
Sou assim apenas porque sim.
Se calhar, penso que as palavras pouco importam
quando te sinto só para mim.
Mas sei que tu és diferente.
Gostas de ouvir palavras que te elevem
e levem de mim para nós.
Deixa-me dizer-te
algo bastante importante
antes que o medo se apodere de mim:
gosto de ti assim tal e qual como és:
menina mulher
que sabe bem o que quer;
força destemida;
vontade sem medida;
perfeita nas imperfeições
que fazem ser como és.
Sei que não sabes o quanto te observo pela manhã
quando te preparas para o novo dia.
Sei que não sabes o quanto te admiro
desde a tarde em que te vi
naquele encontro combinado
no café ali ao lado.
Deixa-me dizer-te
apenas mais uma coisa:
sei que já te fiz triste sem querer
arrancar-te os sonhos que sonhaste.
Não me sintas o que não sou,
nem consigo ser mesmo que queira.
Sou homem de alma frágil
sem desilusões para chorar
(haverá vazio maior do que este?).
Sei que te peço o impossível,
mas quero que me aceites tanto
como eu gosto de ti;
quero que me perdoes tudo
o que já te perdi.