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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Mais ou menos



Há seres assim:
com os pés agarrados à terra
e as mãos atadas à cabeça.
Seres sem paixão de alma
que sentem com o corpo
e esquecem com o tempo.
Seres que envelhecem
agarrados a julgamentos;
limitados nos afectos,
nos pequenos gestos,
nas palavras por dizer.
Seres que carregam o fardo da vida
em vez de beber o sabor de viver
não conhecem a leveza de um sonho
sempre em busca de uma nova estrela.
Seres que não interpretam o silêncio
não sabem ler a ausência
de um olhar mais intenso.
Seres que nunca procuram.
Nunca questionam.
Nunca transbordam.

Há seres assim…


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O sonho



Sabe-se lá porquê
mas olhaste-a para lá dos olhos
e viste-a para além dela.
Sentiste-a mulher de corpo inteiro
e de alma partida aos pedaços.
Sabe-se lá porquê
mas apaixonaste-te por ela
ainda antes de a conheceres.

Sabe-se lá porquê
mas tu viste isso tudo nele
e sentiste que o envolveste.
Deixaste-te levar pela magia
e sonhaste que eras feliz assim.
Sabe-se lá porquê
mas deslumbraste-te por ele
ainda antes de o teres diante de ti.

Sabe-se lá porquê
mas o dia já despertou faz tempo
e o sol sorri com vontade.
Deixa o sono dormir mais um pouco
e levanta-te para a vida que te espera.
Sabe-se lá porquê
mas o relógio não pára um segundo
e a felicidade tem os braços apertados…





domingo, 23 de novembro de 2014

O pior



Pior do que o que me dizes é o que não me dizes.
O que fica a pairar
no ar da dúvida.
No ombro do medo.
Nas mãos do nada.
Isso, sim, é bem pior.
Preferia que me dissesses as palavras
mais duras,
mais secas,
mais dolorosas,
do que tudo aquilo que fica por dizer.
Mata-me com o léxico mais afiado, mas nunca com o dedo do abandono cobarde.
(eu só quero perceber…)

Mas pior ainda do que as palavras que ficam algures perdidas no firmamento é o não quereres saber.
A tua indiferença.
O teu olhar para o lado como quem está distraído da vida. De mim.
Não te distraias de mim.
Se gostas de mim, não te distraias de mim.
Se me queres como me quiseste no dia em que nos conhecemos,
e desde o dia em que nos conhecemos,
não te distraias de mim.
A tua distracção pode ser o fim de tudo aquilo que fomos.
De tudo o que fizemos.
De tudo o que escrevemos.
E não há nada pior do que apagar o que já foi gravado na história que há-de vir.
(como eu queria perceber-te…)


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Saudades de mim



Estou carregadinha de saudades minhas.
Não sei por onde ando desde o último dia em que reclamei o meu triste fado. Se calhar, estou presa dentro de mim a penitenciar-me pela minha total falta de jeito em lidar com a vida que me foi dada sem pedir.
(Há pensamentos que se vingam em nós e nos fecham a liberdade de simplesmente sentir)
Hoje, especialmente no dia de hoje,
gostava
não ter de pedir licença ao corpo para ver se é gentil e me deixa fazer o que quero e o que preciso;
não ter de pedir que me entendam entre gestos ridículos e desesperos mal entendidos.
 (Há desejos que se deliciam com as nossas dificuldades e nos provocam até à exaustão)
Hoje, sinto-me assim:
com vontade de me ter de volta e abraçar a minha simples existência .