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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A boneca de trapos



Na prateleira de uma estante
fechada com portas de vidro,
a boneca de trapos
fica à espera que se lembrem dela.
Fica, ali, quietinha,
ansiosa por ver as portas
serem abertas pelas mesmas mãos
que lhe poderão dar o colo que reclama.
Um dia, porém,
há-de chegar alguém
que deixe as portas entreabertas
e, sentindo o ar fresco da vida,
acorde a boneca de trapos.
Aí, os seus olhos ganharão brilho;
os seus lábios sorrirão
e todo o seu corpo ganhará a dimensão
de sentir calor sem  ilusão.
Com a jovialidade de ser (de) novo,
saltará do alto da prateleira:
a boneca de trapos
não o será mais.
Será a força de gerar vida;
de nutrir com amor;
de crescer com a dor;
de viver para a frente.
A boneca de trapos
será, então, esculpida nas páginas
de um livro ainda por escrever
e fará parte do imaginário
de quem quer ser realmente feliz.


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