Na
prateleira de uma estante
fechada com
portas de vidro,
a boneca de
trapos
fica à
espera que se lembrem dela.
Fica, ali,
quietinha,
ansiosa por
ver as portas
serem
abertas pelas mesmas mãos
que lhe
poderão dar o colo que reclama.
Um dia,
porém,
há-de chegar
alguém
que deixe as
portas entreabertas
e, sentindo
o ar fresco da vida,
acorde a boneca
de trapos.
Aí, os seus
olhos ganharão brilho;
os seus
lábios sorrirão
e todo o seu
corpo ganhará a dimensão
de sentir calor
sem ilusão.
Com a jovialidade
de ser (de) novo,
saltará do
alto da prateleira:
a boneca de
trapos
não o será
mais.
Será a força
de gerar vida;
de nutrir
com amor;
de crescer
com a dor;
de viver
para a frente.
A boneca de
trapos
será, então,
esculpida nas páginas
de um livro ainda
por escrever
e fará parte
do imaginário
de quem quer
ser realmente feliz.

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