Pior do que
o que me dizes é o que não me dizes.
O que fica a
pairar
no ar da
dúvida.
No ombro do
medo.
Nas mãos do
nada.
Isso, sim, é
bem pior.
Preferia que
me dissesses as palavras
mais duras,
mais secas,
mais
dolorosas,
do que tudo
aquilo que fica por dizer.
Mata-me com
o léxico mais afiado, mas nunca com o dedo do abandono cobarde.
(eu só quero
perceber…)
Mas pior
ainda do que as palavras que ficam algures perdidas no firmamento é o não
quereres saber.
A tua
indiferença.
O teu olhar para
o lado como quem está distraído da vida. De mim.
Não te
distraias de mim.
Se gostas de
mim, não te distraias de mim.
Se me queres
como me quiseste no dia em que nos conhecemos,
e desde o
dia em que nos conhecemos,
não te
distraias de mim.
A tua
distracção pode ser o fim de tudo aquilo que fomos.
De tudo o
que fizemos.
De tudo o
que escrevemos.
E não há
nada pior do que apagar o que já foi gravado na história que há-de vir.
(como eu
queria perceber-te…)

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