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domingo, 23 de novembro de 2014

O pior



Pior do que o que me dizes é o que não me dizes.
O que fica a pairar
no ar da dúvida.
No ombro do medo.
Nas mãos do nada.
Isso, sim, é bem pior.
Preferia que me dissesses as palavras
mais duras,
mais secas,
mais dolorosas,
do que tudo aquilo que fica por dizer.
Mata-me com o léxico mais afiado, mas nunca com o dedo do abandono cobarde.
(eu só quero perceber…)

Mas pior ainda do que as palavras que ficam algures perdidas no firmamento é o não quereres saber.
A tua indiferença.
O teu olhar para o lado como quem está distraído da vida. De mim.
Não te distraias de mim.
Se gostas de mim, não te distraias de mim.
Se me queres como me quiseste no dia em que nos conhecemos,
e desde o dia em que nos conhecemos,
não te distraias de mim.
A tua distracção pode ser o fim de tudo aquilo que fomos.
De tudo o que fizemos.
De tudo o que escrevemos.
E não há nada pior do que apagar o que já foi gravado na história que há-de vir.
(como eu queria perceber-te…)


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