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domingo, 27 de setembro de 2015

Ser para além de mim



A certeza nem sempre está certa do que quer.
Umas vezes, acha-se forte e convincente.
Outras, vacila a cada olhar alheio.
E esta certeza inconstante de humores
está em mim em cada acordar;
em tantos impulsos contidos;
em todos os sofrimentos oferecidos
numa qualquer distracção;
nas lágrimas que guardo nas desilusões
dentro dos meus ainda sonhos.
Mas esta minha consciência
não faz de mim melhor pessoa,
nem é a redenção de todos os meus males.
É apenas o desabafar de almas cruzadas
entre o que é o correcto e o que tem que ser;
entre a perfeição e a dúvida de ser eu.
Como posso não magoar alguém
se no meio de tudo isto
há tanto por viver e para sentir?
Tento ser o melhor que sei e posso
nesta amálgama de ser e estar.
Perdoem-me este meu infortúnio
de existir para além de mim…

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Dúvidas



Como é que alguém
de um mundo tão desigual
se deixa (a)trair pela banalidade?

Será que os olhos conseguem distrair
a essência encantada com o inesperado
seguida, mais cedo que tarde,
da revelação na forma do impossível?

Ou será que o Sentir,
guardado nas profundezas do Ser,
clama por este mundo cheio de
regras e normalidades,
injustiças e humanidades?

Será que, afinal,
a alma vê mais certo que o pensamento
e a razão vive bem dentro do coração?


sábado, 19 de setembro de 2015

A felicidade de olhos abertos



Sei-me homem desde há muito
perdido na imensidão de dúvidas
e receios e desgostos e desencontros,
mas contigo sinto-me menino
em busca de me descobrir algures
dentro de tanto que brota em mim.
Não sei que coisa é esta
se alguma coisa pode alguma vez
ser tão indefinida como concreta,
mas se há certeza que me invade
desde que passaste a verdade
nesta minha história sem passado
presente tantas vezes no que me dói
é a de que vou deixar que me leves para lá
deste meu tremendo medo de nascer de novo
e tentar quem sabe ser feliz de olhos abertos:
a partir de hoje e de todos os hojes:
diante de mim a teu lado:
de mãos apertadas.
Tão certamente.
Tão tranquilamente.
Como nunca.




quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Devagar



Não tenhas pressa.
Devagar,
devagarinho,
saboreia a felicidade
aos pedaços bem pequeninos.
Sempre que a vontade
te apertar o coração:
fecha os olhos,
vê o que tanto anseias ver,
solta o sorriso preso na saudade,
aquece essa alma sozinha
e abraça o arrepio
de me teres dentro do teu peito.
A vontade não deixará de o ser.
Apenas ficará maior do que o longe
estando tão perto de ti.
A distância entre dois corpos
mede-se pela força do que os une.
E o ar que te falta para respirar
está em cada palavra
sussurrada ao meu ouvido.
E é assim que,
devagar,
devagarinho,
te guardo em segredo só para mim.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Necessidades



Há necessidades que nascem de nós sem que nos tenhamos apercebido da sua longa e minuciosa gestação tal é a nossa total abstracção do que somos e do que queremos realmente. E quando elas surgem desse nada aparente e nos fazem rasgar conceitos e preconceitos descobrimos afinal:

que todos nós temos um propósito a fazer em cada um de nós;
que existimos para lá da ferida de uma ilusão perdida;
que tropeçar de vez em quando na nossa humanidade:

é aceitar os insondáveis mistérios da nossa existência;
é olhar nas pessoas dentro das suas infinitas realidades;
é encontrar medos escondidos atrás de fragilidades maquilhadas de força;
é perceber que os erros são a beleza de quem é imperfeito, mas persegue a tentação da perfeição.

Há necessidades que crescem em nós e nos apertam a vontade de respirar sozinhos.
São necessidades que nos pesam no espelho da alma e nos fazem adormecer para dentro do sonho eterno.
Não se vêem e nem se fazem ver.
Apenas doem.
Eis o silêncio a falar de si…