Ao homem que me fez
e me faz ser quem sou;
que me ensinou muito
e que me deu tanto.
Nem sempre me entendeu,
mas sempre me aceitou
carregada de feitio
tal e qual como ele.
Ao homem que me acompanhou
desde que vim ao mundo;
com quem fui criança
à procura de segurança.
Sempre andámos muito juntos,
mas sempre sem nunca o revelar:
ele a olhar por mim;
eu à procura dele.
Ao homem que me encontrou
no meio de uma multidão;
que me quis conhecer
para lá do que escrevia.
Somos opostos que se atraíram
tal era a sede de crescer juntos
contra os olhares inquisidores
de quem não percebe a diferença.
Ao homem que me viu ali
a tentar encontrar o fio que perdi;
que me percebeu sem eu perceber
muito bem quem eu sou.
Que me ajudou e orientou
ao longo de uma página
que ainda se encontra a ser
escrita com muita interrogação.
Ao homem que está a nascer
a cada dia que passa;
que desenhei com ilusão
salpicada de medo
de que um dia este homem
seja tudo menos feliz.
Não imagina o quanto me tem ensinado
a ser mais do que alguma vez fui.

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