Já tive muitos degraus para enfrentar: estreitos e bastante íngremes.
Por diversas vezes, olhei-os como que a tentar perceber se estariam
diante de mim ou em mim.
Mas eu queria subi-los. Não me importava onde se encontravam.
A minha curiosidade em saber o que estaria mais lá em cima era
superior a qualquer fobia ou simples medo.
Sentia que tinha de saber se, naquele lugar que ainda não conhecia,
haveria alguma clarabóia ou se seria algum sótão empoeirado esquecido pelo
tempo.
E fui subindo. Degrau a degrau. Quantas vezes agarrada ao corrimão com
as duas mãos como se a minha vida dependesse da minha fraqueza humana e não
tanto da minha resiliência de mulher.
E fui subindo. Ainda subo, aliás. Todos os dias. Mais um degrau. Ainda
não sei se irei encontrar a clarabóia ou o sótão (desconheço o que será melhor).
Sei é que ainda tenho muitos degraus diante de mim ou em mim. Mas não faz mal.
A vida é mesmo assim.
E esta escada parece não ter fim.

Sem comentários:
Enviar um comentário