Apetece-me escrever sobre nós.
O que já fomos.
O que já fizemos.
O que já passámos.
Olho para trás e vejo que temos muitas histórias para contar aos
nossos filhos quando forem mais crescidos para entenderem como nós nos conhecemos.
A razão que nos encontrou sem razão que alguém entenda no seu senso mais comum.
Mas nós nada temos de comum. Em comum: muita coisa.
Voltando às histórias que um dia vamos contar aos nossos filhos:
(já viste – com toda a certeza que já viste – como os nossos filhos
são a mistura mais deliciosa de tu com eu?
O olhar meigo de um.
O sentido de humor do outro.
Os feitios, os jeitos e os trejeitos de ambos.
Os nossos filhos são muito nós. Tão nós que não são nossos. Um dia,
seguirão as suas vidas e terão as suas próprias histórias para contar)
sabes o que quero que eles saibam?
Como a vida, marota, uniu a improbabilidade com a certeza do que se
quer apesar da inocência daqueles tempos.
Que a juventude não é sinal de imaturidade,
mas de força para enfrentar o que vier. Venha o que vier.
Que tudo o que se vive será o pilar para aguentar as tempestades
inevitáveis de duas vidas partilhadas.
Que nada se apaga. Tudo nos faz.
Quero que saibam que eles já existiam bem antes de nascerem e que,
acima de tudo, os amávamos quando nos vimos pela primeira vez. Tu tímido. Eu
atenta.
Somos mesmo nós. Só nós. Mesmo.

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