Chego a pensar que me esgotei;
que atingi o limite de tudo o que é
passível de ser compreendido.
Pergunto-me como será ser
sem este sentir gatuno da minha racionalidade.
Fui levada vendada
para o lado escuro artista de manha em riste
sem saber a tela que me iria desenhar.
Como podes ser tão cínica comigo?
Será que me queres ver do avesso?
Chego a pensar que já nada mais há a fazer;
que me perdi nas profundezas mais obscuras
de teias, linhas, ninhos, minas
e pedras por partir.
Sinto-me espetada nesta margem movediça:
não consigo passar para o lado luz:
mexer-me é enterrar-me ainda mais.
E tu, cheia de vontade de me iludir,
divertes-te com o rumo miragem
que acenas a chamar por mim…




