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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Contigo, consigo



Contigo
iria até ao fim do mundo
e recomeçá-lo-ia
no princípio do novo.
Contigo,
consigo
ver esse fim tão perto
do que já foi feito
e distanciar-me
da primeira vez de tudo.

(Afinal, o fim do mundo
não é o abismo de ser grande,
mas a planície da ilusão sem fim.)

Contigo
iria até ao fim do mundo
se o mundo tivesse o fim
que sonhámos para nós.

(De mãos dadas,
saltávamos em busca do ser pleno.)

Mas o mundo
é um mundo que não acaba mais
por mais voltas que dê a vida
e o meu corpo
chora a alma que desencontrou.
Contigo,
consigo
ir além do fim que nos espera
ali mesmo ao virar
de uma qualquer distracção banal.
Mesmo contigo,
consigo
ser quem sou
e quem quero ser
ao lado de quem me quer…


1 comentário:

  1. Excelente e bonito poema Louvor a umas mãos que debitam na ponta dos dedos o que o cerebro manda escrever. Parabéns , para quem liberta a mente e consegue "marinar" o pensamenrto. Como se de um Hino se trate, mais que isso, de abençoar a coragem de libertar o sentido da alma, o expressar da alma e o libertar da alma. Sim, a alma existe porque existe coração e se o coração existe, existe vida, e se existe vida, existe vontade de a viver. PARABÉNS.

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