Sentada na varanda
olho para a musa inspiradora,
imponente e brilhante,
que flutua na escuridão.
Ela olha-me
com olhos de quem padece
e sofre
com o meu sofrimento.
A noite caiu
e a brisa corre ao de leve
como que para refrescar
o que paira no ar.
É a Primavera.
A Primavera da vida
que nasce e morre,
faz nascer,
faz morrer
o mais frio dos mortais.
A Primavera da vida
é magnífica!
e, no entanto,
faz sofrer
quando acaba o seu tempo,
a sua vida.
Sofro.
Não que a minha Primavera tivesse acabado,
mas porque,
sozinha
diante de tal quadro encantador,
a Primavera
não é tão bela.
Não é Primavera.
Sofro
porque a beleza
é para ser compartilhada
e não isoladamente desfrutada,
como se mais ninguém houvesse.
Quero viver na eterna Primavera...
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