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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Aromas



Adoro aromas.
Suaves, subtis.
O aroma a chuva fraca acabada de cair num dia de Verão.
O aroma do mar, da praia,
do pinheiro, do eucalipto.
O aroma de Primavera das árvores em flor.

Os aromas transportam-nos
a memórias apagadas,
a infâncias esquecidas,
a desejos, sonhos.

O aroma do bolo quente que a avó fazia nas férias de Verão,
do pão torrado numa espécie de torradeira de levar directamente ao fogo,
dos campos em flor
onde corríamos
sem saber bem porquê,
do perfume do primeiro amor
inocente, sonhador, libertador.

Os aromas
são intrigantes,
marcantes,
atraentes,
repulsivos.

Os aromas não se vêem,
não se tocam.
Não têm corpo,
nem forma
e, no entanto,
envolvem-nos, apaixonam-nos.

O aroma do colo da mãe,
da pureza do bebé,
do fervor dos amantes.

Adoro aromas.
Suaves, subtis.
Fecho os olhos e abstraio-me.
Distraio-me.
Concentro-me.
Respiro fundo.
Relaxo.
Cheiro jasmim, tília, rosa
e todas as flores
do meu imaginário.
Relaxo.
Adormeço profundamente 
e sonho com aroma a flores...

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