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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Dignidade

Dizem
que quando se chora por amor
é porque há ainda um pouco de dignidade,
mas quando se mendiga por amor
não há dignidade,
não há amor.
Há pena
e compaixão
por nós próprios.
Então,
já não se mendiga por amor,
mas por desamor
e isso já não é digno.
Digno
não é mendigar ou
implorar por amor.
Digno
é amar e ser amado.
Isso sim é digno!
Serei eu,
por acaso,
algum dia,
digno?

O meu castelo

O meu castelo
não é frio, nem feio.
Não é distante, nem assustador.
O meu castelo
é acolhedor.
Bonito.
É confortável.
É azul, cor de rosa
e todas as cores
de um arco-íris.
O meu castelo é meu
e apenas meu.
Ninguém lá entra.
Apenas quem eu quero,
como quero,
e quando quero.
O meu castelo não é distante.
É apenas privado.
É meu.
Gosto muito do meu castelo.
Fui eu que o fiz.
Fui eu...
Infelizmente,
há cada vez menos castelos.
Estão a extinguir-se...
A mim nada disso interessa,
nem preocupa.
O meu castelo existe,
está lá,
bem perto de quem eu quero.
O meu castelo...
tão lindo!
existe,
imponente
e magnânime.
Ao meu castelo
nunca ninguém viu,
apenas eu.
São algumas pessoas que lá habitam e nem sabem.
Apenas eu...

Porto Seguro

A vida é um barco.
Umas vezes anda à deriva,
perdido,
sem rumo,
sem destino.
Outras,
fica ancorado
num Porto Seguro
ora para se abastecer,
ora para simplesmente contemplar.
Outrora,
também o meu barco
andara a navegar
infinitamente,
apesar da grande e forte âncora que possuia.
Não tinha encontrado
o meu Porto Seguro.
Ao Porto Seguro já o avisto,
ao longe,
pequenino.
No entanto, lá está
à minha espera
e a chamar por mim.
Dirijo-me para lá.
Espero que não esteja já
ancorado por outro barco
mais imponente que o meu.
Sei que já estivera ancorado
por outros barcos,
mas foram arrastados pelas marés.
Não possuíam
âncoras robustas e resistentes como a minha.
Não há onda,
nem tempestade
que me impeça de ancorar
no meu tão desejado Porto Seguro.
Apenas um outro barco.

Ver

Olha para mim!
Não me vês?
Estou aqui a teu lado.
Olha!
Os teus olhos
de pessoa adormecida
não me vêem.
Porquê?
Não me querem ver??!!
Não querem ser vistos??!!
Porquê?
Quero acreditar
que tudo não passa de ilusão.
Quero acreditar
que os teus olhos não me vêem
porque quem me vê é o teu coração.
Como quero acreditar!!
Mas não!
Os teus olhos não me vêem.
O teu coração não me vê.
Estás tão longinquamente perto de mim!
Abre os olhos!
Abre o coração.
Estou aqui.
Olha para mim...

Viajar

Foi num dia à tarde
que, sozinha,
à beira do lago
azul e reluzente,
o vi.

Lá estava ele,
sentado,
encostado a uma árvore.
A ler.
A sonhar.
A viajar.
Quem sabe?

Quem me dera ser o livro.
Quem me dera ser o sonho.
Quem me dera estar no sonho.

Viajei.
Fui ter com ele.
Fui ler o livro com ele.

Regressei.
Acordei e estava no outro lado da margem.

Que pena!!

Primavera da Vida

Sentada na varanda
olho para a musa inspiradora,
imponente e brilhante,
que flutua na escuridão.
Ela olha-me
com olhos de quem padece
e sofre
com o meu sofrimento.
A noite caiu
e a brisa corre ao de leve
como que para refrescar
o que paira no ar.
É a Primavera.
A Primavera da vida
que nasce e morre,
faz nascer,
faz morrer
o mais frio dos mortais.
A Primavera da vida
é magnífica!
e, no entanto,
faz sofrer
quando acaba o seu tempo,
a sua vida.
Sofro.
Não que a minha Primavera tivesse acabado,
mas porque,
sozinha
diante de tal quadro encantador,
a Primavera
não é tão bela.
Não é Primavera.
Sofro
porque a beleza
é para ser compartilhada
e não isoladamente desfrutada,
como se mais ninguém houvesse.
Quero viver na eterna Primavera...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Celebração da vida




Há quem diga que a vida
é um pesado fardo que carregamos
ao longo de um percurso sinuoso.

Outros há que dizem que a vida
é apenas a existência de um ser
num determinado espaço.

Não concordo!
Não posso de todo concordar!

A vida é um trajecto existencial
recheado de experiências boas
e menos boas
que nos preenchem e ensinam.
E com elas vamos
caminhando em lindas planícies,
escalando tortuosas montanhas,
atravessando longos oceanos...

E o que seria de todos nós sem vida?

Seríamos uma pedra,
fria e dura,
inalterável ao longo dos anos
não fosse a erosão dos ventos
ou o polimento das areias.

Assim, cabe a cada um de nós celebrar a vida.

Celebramos?

O grito



Grito na multidão
e o silêncio impera.
Magoa.
Mutila.
Faz o coração
ficar fisicamente dorido
por gritar
e ninguém ouvir.
Ninguém perceber
o que preciso,
como se o que preciso
de oxigénio
se tratasse.
Magoa.
E a pedra áspera
e dura
mantém-se
impávida
e serena
como se nada tivesse a ver com ela...
magoa.
Asfixia.
Mata.
E ando a morrer aos bocados
por quem
me desilude
por não me perceber...
e andar tão alheado de mim...
serei eu a egoista?
Se o que peço
é tão pouco
e tão importante...
e ando a morrer aos bocados...

Amargura



Ando triste,
amargurada,
mal amada,
sem vontade de sorrir.

Sinto-me só,
estando acompanhada.
Sinto-me desamparada,
desiludida.

Quero colo
e ninguém mo dá.

Quero um abraço
e todos me fogem.

Quero sentir-me
amada,
desejada,
admirada.

Quero sentir-me
mulher.

Quero o meu  homem de volta.

Não sei onde está,
nem com quem está.

Não o compreendo,
nem o conheço.

Tenho medo
de estar simplesmente
a acordar de um sonho bonito
e que a vida
seja mesmo isto
que vivo,
vejo
e sinto:
incompleta,
cinzenta,
vazia.

Quero apenas
que o meu coração
sorria
novamente.
Genuinamente.

Vou dormir...
pode ser que volte a sonhar...        

Ser Mulher




A sua definição é tão complexa como o Ser propriamente dito.
Ser Mulher é tão magnífico como enigmático.
Tem momentos turbulentos de autêntico vendaval de ideias e palavras. Demasiado. Excessivo para o pragmatismo duro e cruel do Homem.
É ter uma perspectiva global de tudo o que a rodeia, pensando sempre em muita coisa ao mesmo tempo. Como é possível não o fazer?

Ser Mulher é maravilhoso, desde que a deixem Ser Mulher. Desde que ela se deixe Ser Mulher.
Não esposa. Não mãe. Não filha. Não. Só Mulher. Pelo menos durante uns instantes por dia. Faz falta. Faz bem. A ela e a todos os que a rodeiam.

A Mulher é o limão da vida. Não aquele limão brilhante, grande, com cheiro forte a citrino, pois esse, quando se corta, não tem sumo. É antes aquele limão aparentemente frágil e, no entanto, suculento. O que tem a acidez fundamental para temperar a vida.

A Mulher engana os incautos. A Mulher (a)trai. Naturalmente (a)trai. E gosta de (a)trair. Faz parte do Ser Mulher. Do seu papel de Mulher. É o seu porto seguro. O seu cinto de segurança no percurso sinuoso da vida. Não se trata de vulgaridades, mas de complexidades. Gosta e não gosta. Quer e não quer. Não é um jogo. É a sua natureza.

Ser Mulher não é nada fácil. É um turbilhão de pensamentos e sentimentos. De hormonas descontroladas e de emoções ao rubro.

Ser Mulher é viver constantemente numa montanha-russa. Ora calma, ora acelerada.

Sou Mulher. Adoro Ser Mulher e aprecio as Mulheres. Não é nada sexual, mas concorrencial. Tenho uma  necessidade quase carnal de proteger e de demarcar o meu território.

Observo, analiso, comparo, filtro. Não aceito dogmas, modas inúteis, futilidades.

Sou um Ser Pensante. Não é isto que é Ser Mulher?



Silêncio


O Silêncio é,
muitas das vezes, 
uma dádiva. 
Num momento de Silêncio, 
reflectimos, 
sonhamos, 
viajamos 
com o nosso pensamento 
para sítios privados 
e até, quem sabe, 
delicados.
O Silêncio, 
quando não imposto, é, 
sem dúvida, 
um óptimo momento 
para uma introspecção da nossa vida, 
da nossa vivência e 
convivência.
Só não entende a importância de 
um momento de Silêncio, 
quem vive 
sempre (!) 
no meio de ruído ensurdecedor 
que nos empobrece e entristece. 

Um olhar, 
um sorriso, 
uma expressão 
dizem mais
do que mil palavras
proferidas, faladas.
Aprecio 
um bom momento de Silêncio, 
tal como aprecio um momento de Solidão. 
Um momento. Apenas isso. Nada mais.

Detalhe


Uma questão de detalhe.
O olhar em volta
e ver a beleza
que nos rodeia.

Detalhe.
Sem pressas.
Sem mecanismos.

Uma questão de detalhe.
O pausar
para absorver tudo
sofregamente
como se o amanhã
não o fosse mais.
O parar
para viver
e não de viver.

Ver a voracidade do mar em dias de tempestade.
Ver a leveza da ave face a um vento forte e impiedoso.
Ver a flor a desabruchar.
Ver a sabedoria da velhice.
Ver a vida em toda a sua plenitude.
Uma questão de detalhe.

Aromas



Adoro aromas.
Suaves, subtis.
O aroma a chuva fraca acabada de cair num dia de Verão.
O aroma do mar, da praia,
do pinheiro, do eucalipto.
O aroma de Primavera das árvores em flor.

Os aromas transportam-nos
a memórias apagadas,
a infâncias esquecidas,
a desejos, sonhos.

O aroma do bolo quente que a avó fazia nas férias de Verão,
do pão torrado numa espécie de torradeira de levar directamente ao fogo,
dos campos em flor
onde corríamos
sem saber bem porquê,
do perfume do primeiro amor
inocente, sonhador, libertador.

Os aromas
são intrigantes,
marcantes,
atraentes,
repulsivos.

Os aromas não se vêem,
não se tocam.
Não têm corpo,
nem forma
e, no entanto,
envolvem-nos, apaixonam-nos.

O aroma do colo da mãe,
da pureza do bebé,
do fervor dos amantes.

Adoro aromas.
Suaves, subtis.
Fecho os olhos e abstraio-me.
Distraio-me.
Concentro-me.
Respiro fundo.
Relaxo.
Cheiro jasmim, tília, rosa
e todas as flores
do meu imaginário.
Relaxo.
Adormeço profundamente 
e sonho com aroma a flores...