Quando o
pensamento está na língua e sai à velocidade de um instante:
é perante
uma criança que se faz a alegria de ser inocente.
As palavras que
saem a correr em busca da verdade,
de pele
macia ou de sabor amargo,
esbarram no
pudor nada original do julgamento de maior idade:
sucumbem-se
as poses:
disfarçam-se
as faces:
encenam-se censuras.
Feliz
realidade de sentir no coração a alma de Ser Ainda Humano.
Mas o tempo
traz desgostos em forma de desilusão e toda a magia transforma-se em levar tudo
muito a sério.
A chuva
deixa de formar poças de chapinhar gargalhadas:
passa a
encharcar as angústias de todos os dias.
E o
pensamento, outrora arisco, instala-se de malas e bagagens no sótão empoeirado
revestido a preconceito.
É assim que
se chora o silêncio de uma criança a menos.

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