Poucas são as pessoas que gostam de esperar. Aliás, pensando um pouco (parando até para pensar), ninguém gosta de esperar.
Esperar aborrece. Chateia. Exaspera.
Desespera.
Estas pessoas (as que não gostam de esperar) sentem
o relógio a tocar incessantemente no ombro como que a chamar; sentem o tempo a
escapulir-se vertiginosa e inequivocamente.
O malandro do relógio (que de malandro só tem
o nome), sem dúvida!, não pára e o tempo não nos dá quaisquer tréguas. No entanto,
se pararmos para pensar (se nos permitirmos tal luxo) chegamos à conclusão que
esperar é bom. Ora vejamos:
Esperar permite-nos parar para pensar no que
fizemos ou no que vamos fazer; no que dissemos ou vamos dizer; permite-nos um
ensaio que, de outra forma, seria impossível concretizar;
Esperar permite-nos escrever um poema, uma
reflexão ou, quem sabe?, uma inspirada carta de amor;
Esperar permite-nos parar para fazer um
desenho irreflectido, mas sentido; permite-nos observar, absorver, criticar,
aprender, analisar.
Esperar permite-nos um sem-número de
actividades desde que a tal estejamos abertos;
Esperar permite-nos (pasme-se!) viver a vida
que não vivemos sempre que corremos atrás do tempo que parece nunca termos.
A espera desespera quando envolta em
pensamentos negativos ou, mesmo, derrotistas. Por isso, e para evitar que
andemos todos nós a ansiolíticos, apresento a seguinte proposta:
Tornemo-nos todos designers, arquitectos,
filósofos, comunicadores, jornalistas, educadores, economistas, críticos ou
escritores enquanto estamos na extensa fila da Segurança Social ou das
Finanças.
Assim, para além do nosso tão precioso tempo passar mais rápido, aprendemos qualquer coisita. Ah! E a espera não é tão... dolorosa!
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