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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Da espera



Poucas são as pessoas que gostam de esperar. Aliás, pensando um pouco (parando até para pensar), ninguém gosta de esperar.
Esperar aborrece. Chateia. Exaspera. Desespera.
Estas pessoas (as que não gostam de esperar) sentem o relógio a tocar incessantemente no ombro como que a chamar; sentem o tempo a escapulir-se vertiginosa e inequivocamente.
O malandro do relógio (que de malandro só tem o nome), sem dúvida!, não pára e o tempo não nos dá quaisquer tréguas. No entanto, se pararmos para pensar (se nos permitirmos tal luxo) chegamos à conclusão que esperar é bom. Ora vejamos:
Esperar permite-nos parar para pensar no que fizemos ou no que vamos fazer; no que dissemos ou vamos dizer; permite-nos um ensaio que, de outra forma, seria impossível concretizar;
Esperar permite-nos escrever um poema, uma reflexão ou, quem sabe?, uma inspirada carta de amor;
Esperar permite-nos parar para fazer um desenho irreflectido, mas sentido; permite-nos observar, absorver, criticar, aprender, analisar.
Esperar permite-nos um sem-número de actividades desde que a tal estejamos abertos;
Esperar permite-nos (pasme-se!) viver a vida que não vivemos sempre que corremos atrás do tempo que parece nunca termos.

A espera desespera quando envolta em pensamentos negativos ou, mesmo, derrotistas. Por isso, e para evitar que andemos todos nós a ansiolíticos, apresento a seguinte proposta:
Tornemo-nos todos designers, arquitectos, filósofos, comunicadores, jornalistas, educadores, economistas, críticos ou escritores enquanto estamos na extensa fila da Segurança Social ou das Finanças.
Assim, para além do nosso tão precioso tempo passar mais rápido, aprendemos qualquer coisita. Ah! E a espera não é tão... dolorosa!






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