Se há
tema que considero de complexa explanação é a chamada “emancipação
das mulheres”.
Considero-me
uma felizarda por ter nascido numa era em que as mulheres podem
vestir o que bem lhes apetece; podem votar; podem entrar num café
sem serem olhadas com censura e desdém; podem ter o seu emprego;
podem conduzir... São imensas as “conquistas” das mulheres e a
todas elas associa-se a tão falada “emancipação”.
Pois
bem... começa aqui o busílis da questão. Se por um lado, ainda bem
que “conquistamos” este terreno tão bravio; por outro...
pergunto-me: E isso é bom? É assim tão bom??? Ok... ainda bem que
posso vestir-me como me dá na real gana; ainda bem que posso dar o
meu contributo cívico ao votar em quem me ilude ano após ano
(afinal tenho um cérebro pensante!); ainda bem que posso entrar
relaxada num café, pois também eu, mulher, preciso de ver e
conviver; ainda bem que posso pôr em prática o que aprendi e sei,
sendo para isso remunerada; ainda bem que posso pegar no meu carrinho
e dar uma volta sem ter de estar à espera de ninguém,... mas
agora... e o resto? É bom? Pois... como tudo na vida, trata-de uma
balança com os pratos bastante desiguais.
Ao
participarmos mais na sociedade;
ao
termos o nosso próprio emprego;
ao
termos independência na locomoção;
ao
querermos fazer tanta coisa ao mesmo tempo,
atolamo-nos.
Enterramo-nos.
Em quê?
Em múltiplas tarefas que parecem não acabar mais.
É a
casa que parece nunca estar arrumada e limpa;
É o
emprego que chateia e cria ansiedade;
São os
filhos que têm que ser levados de e para a escola,
São
tantas e infindáveis as tarefas...!
E nós?
E tempo para nós?
Sabem?
O nosso
dia só tem 24h como o dos homens, certo? Como é que haveríamos de
não andar cansadas???
Não é
só a beleza que cansa. A vida também cansa. E não é a vida que é
escrava. As mulheres é que são escravas. E algumas são escravas
delas próprias. O que é mais grave ainda!
Não
consigo imaginar-me envolta apenas em fraldas, panelas, e afins. Sem
dúvida que necessito de me sentir activa. Intelectualmente activa. Quase como quem precisa de comer. O trabalho doméstico,
sendo necessário, é, para mim!, bastante redutor e com ele não se
aprende nada! No entanto, tento ser equitativa no meu dia-a-dia. Na
minha vida. Comigo.
Por
isso, inexplicavelmente, sempre que falam em “emancipação”, eu oiço “alforria”. E, para alcançarmos esta, ainda
temos um longo caminho pela frente! E, se calhar, só depende de
nós...

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