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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Alforria

Se há tema que considero de complexa explanação é a chamada “emancipação das mulheres”.
Considero-me uma felizarda por ter nascido numa era em que as mulheres podem vestir o que bem lhes apetece; podem votar; podem entrar num café sem serem olhadas com censura e desdém; podem ter o seu emprego; podem conduzir... São imensas as “conquistas” das mulheres e a todas elas associa-se a tão falada “emancipação”.
Pois bem... começa aqui o busílis da questão. Se por um lado, ainda bem que “conquistamos” este terreno tão bravio; por outro... pergunto-me: E isso é bom? É assim tão bom??? Ok... ainda bem que posso vestir-me como me dá na real gana; ainda bem que posso dar o meu contributo cívico ao votar em quem me ilude ano após ano (afinal tenho um cérebro pensante!); ainda bem que posso entrar relaxada num café, pois também eu, mulher, preciso de ver e conviver; ainda bem que posso pôr em prática o que aprendi e sei, sendo para isso remunerada; ainda bem que posso pegar no meu carrinho e dar uma volta sem ter de estar à espera de ninguém,... mas agora... e o resto? É bom? Pois... como tudo na vida, trata-de uma balança com os pratos bastante desiguais.
Ao participarmos mais na sociedade;
ao termos o nosso próprio emprego;
ao termos independência na locomoção;
ao querermos fazer tanta coisa ao mesmo tempo,
atolamo-nos. Enterramo-nos.
Em quê? Em múltiplas tarefas que parecem não acabar mais.
É a casa que parece nunca estar arrumada e limpa;
É o emprego que chateia e cria ansiedade;
São os filhos que têm que ser levados de e para a escola,
São tantas e infindáveis as tarefas...!
E nós? E tempo para nós?
Sabem?
O nosso dia só tem 24h como o dos homens, certo? Como é que haveríamos de não andar cansadas???
Não é só a beleza que cansa. A vida também cansa. E não é a vida que é escrava. As mulheres é que são escravas. E algumas são escravas delas próprias. O que é mais grave ainda!

Não consigo imaginar-me envolta apenas em fraldas, panelas, e afins. Sem dúvida que necessito de me sentir activa. Intelectualmente activa. Quase como quem precisa de comer. O trabalho doméstico, sendo necessário, é, para mim!, bastante redutor e com ele não se aprende nada! No entanto, tento ser equitativa no meu dia-a-dia. Na minha vida. Comigo.
Por isso, inexplicavelmente, sempre que falam em “emancipação”, eu oiço “alforria”. E, para alcançarmos esta, ainda temos um longo caminho pela frente! E, se calhar, só depende de nós... 

 

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