Site Optimizado para Firefox ou Chrome

O Pensamentos Avulsos em Tempos de Ócio apresenta problemas com o Internet Explorer. Em alternativa, queira, por favor, utilizar outro browser como o Firefox ou o Chrome. Obrigada.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Tempo



Vivemos num tempo
sem tempo para nós.
Sem tempo para os outros.
Sem tempo para viver
o tempo que nos foi dado a viver.

Este tempo,
impaciente e apressado,
não espera
nem pára
por ninguém.
Não tem qualquer pena
de quem dele tanto precisa.

Este tempo,
injusto e egoísta,
só pensa no tempo
que julga não ter.
Por isso,
corre apressadamente
em busca do tempo
supostamente perdido
algures a meio do caminho.

E assim,
o tempo esvai-se
dolorosamente.
Indefinidamente…


Navegar onde não há relógio nem pressas

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O desejo



O desejo
é humanamente abrangente,
sempre urgente,
impulsionador,
fortalecedor.

Alimenta-nos.
Afaga-nos.
Abafa-nos.

O desejo
incontrolável por um chocolate
que tire o amargo do momento;
O desejo
aflito
que alguém se lembre de nós
e nos amacie
a privação;

O desejo
é parte integrante
da nossa atribulada existência.
Sem ele
nada somos
senão matéria
fisicamente viva,
mas,
animicamente amorfa.
Morta na sua mais profunda essência.

Tudo começa com um qualquer desejo.
Tudo acaba quando mais coisa nenhuma se deseja.


Debaixo de uma árvore há desejos que se pedem em silêncio



domingo, 24 de fevereiro de 2013

A tempestade



Estou no mar.
Estou mesmo no meio do mar.
Mais concretamente no Cabo das Tormentas.
Não sei bem como,
nem quando,
mas transformá-lo-ei em Cabo da Boa Esperança.

Não sei como sairá a minha embarcação no fim desta jornada.
Se ilesa.
Se destruída.
Se só ligeiramente lascada.
Sei é que não há tempo a perder.
Não posso esperar que o mar acalme
e a tempestade passe.

O tempo urge.

No barco já estou.
No mar também.
Não há volta a dar.
Não tenho como recuar.

Agora,
sigo em frente de olhos bem abertos,
convicta do que sei;
crente no que posso fazer.

E deste forte vendaval,
sairei mais forte
do que alguma vez estive.
E esta tempestade,
no final das contas,
terá sido,
só e apenas,
uma grande
e alucinante
lição de vida.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Alforria

Se há tema que considero de complexa explanação é a chamada “emancipação das mulheres”.
Considero-me uma felizarda por ter nascido numa era em que as mulheres podem vestir o que bem lhes apetece; podem votar; podem entrar num café sem serem olhadas com censura e desdém; podem ter o seu emprego; podem conduzir... São imensas as “conquistas” das mulheres e a todas elas associa-se a tão falada “emancipação”.
Pois bem... começa aqui o busílis da questão. Se por um lado, ainda bem que “conquistamos” este terreno tão bravio; por outro... pergunto-me: E isso é bom? É assim tão bom??? Ok... ainda bem que posso vestir-me como me dá na real gana; ainda bem que posso dar o meu contributo cívico ao votar em quem me ilude ano após ano (afinal tenho um cérebro pensante!); ainda bem que posso entrar relaxada num café, pois também eu, mulher, preciso de ver e conviver; ainda bem que posso pôr em prática o que aprendi e sei, sendo para isso remunerada; ainda bem que posso pegar no meu carrinho e dar uma volta sem ter de estar à espera de ninguém,... mas agora... e o resto? É bom? Pois... como tudo na vida, trata-de uma balança com os pratos bastante desiguais.
Ao participarmos mais na sociedade;
ao termos o nosso próprio emprego;
ao termos independência na locomoção;
ao querermos fazer tanta coisa ao mesmo tempo,
atolamo-nos. Enterramo-nos.
Em quê? Em múltiplas tarefas que parecem não acabar mais.
É a casa que parece nunca estar arrumada e limpa;
É o emprego que chateia e cria ansiedade;
São os filhos que têm que ser levados de e para a escola,
São tantas e infindáveis as tarefas...!
E nós? E tempo para nós?
Sabem?
O nosso dia só tem 24h como o dos homens, certo? Como é que haveríamos de não andar cansadas???
Não é só a beleza que cansa. A vida também cansa. E não é a vida que é escrava. As mulheres é que são escravas. E algumas são escravas delas próprias. O que é mais grave ainda!

Não consigo imaginar-me envolta apenas em fraldas, panelas, e afins. Sem dúvida que necessito de me sentir activa. Intelectualmente activa. Quase como quem precisa de comer. O trabalho doméstico, sendo necessário, é, para mim!, bastante redutor e com ele não se aprende nada! No entanto, tento ser equitativa no meu dia-a-dia. Na minha vida. Comigo.
Por isso, inexplicavelmente, sempre que falam em “emancipação”, eu oiço “alforria”. E, para alcançarmos esta, ainda temos um longo caminho pela frente! E, se calhar, só depende de nós... 

 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Como uma andorinha...



Voar.
Voar
como uma andorinha
que voa
atrás do calor
vital
que aquece o corpo
e alimenta a alma.

Fugir 
das tempestades
que embaraçam 
e ferem.
Do Inverno, 
teimosamente frio
e longo, 
que atrofia
e diminui.

Voar.
Voar
infinitamente.
Sentir toda a leveza em mim
e olhar,
lá do alto,
tudo
tão pequenino
e tão insignificante.
Bem perto das nuvens.
Bem perto do sol.
Como uma andorinha.