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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Uma estória por encantar



Era uma vez uma estória de encantar
que acabou antes de começar.
Aliás, não havia na história das estórias
estória menos estória do que esta.
Esta não tinha protagonistas, nem figurantes.
Não tinha um lugar com espaço livre de sonhar,
nem tempo para o enredo se desenrolar.
O princípio de toda a estória estava no fim por desenvolver.
E o título, esse chamador de atenções,
tinha fugido com a imaginação deste autor por escrever. 

Coitado!
Sentia-se, assim, perdido
este criador de emoções
num caminho sem sentido
que o acudisse às suas aflições.
Ele bem que procurava
uma avassaladora inspiração,
mas também ela já navegava
onde o sol se esconde da razão.
Não obstante tal condição,
mesmo sem nada por contar
com jeito de poder deliciar,
o autor vasculhou-se,
revirou-se,
até palavras fora do sítio debicar
que o ajudassem assim a contar
a mais estória de todas espectacular.
Devagarinho, calcorreou,
como quem treme as varas que nem verdes ainda são,
cada silêncio do e depois?.
E depois?
Depois, imbuído de dom maior,
soube contar bem de cor
a estória mais sem estória
na história das estórias de contar
sempre, sempre ao deitar.

Com pezinhos de lã de carneiro
e pernas de largos passos,
adormeceu o sono por inteiro
ao escutar tais embaraços.
E foi, assim, que terminou
o que nem sequer começou. 


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