Não me venhas com palavras mansas:
já não há ilusão que me faça crer
no que não vejo diante de mim.
Bem podes deixar-te de valsas danças:
não sou quem pensas que sou:
estás para lá de enganado.
Sei para mim o que não quero.
Sei para quem eu nunca estou.
De que vale vires de melodia estudada
se eu sei com toda a minha certeza
que nada do que dizes sentes
dentro da tua alma enfadada?
Sou mulher bem resolvida
sem razão para não me gostar
o bastante para perceber
que me queres na tua vida
apenas por momentos isolados.
Por isso te digo com os olhos
postos em tudo o que já perdi:
és pedaços de ti mal amados
que quer possuir o que não tem
como quem deseja matar a sede
numa qualquer fonte bem proibida
disponível: ali: e além.

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